(UEL - 2007)
"Desde suas origens entre os filósofos da antiga Grécia, a Ética é um tipo de saber normativo, isto é, um saber que pretende orientar as ações dos seres humanos".
Fonte: CORTINA, A.; MARTÍNEZ, E. Ética. Tradução de Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Edições Loyola, 2000, p. 9.
Com base no texto e na compreensão da ética aristotélica, é correto afirmar que a ética:
Orienta-se pelo procedimento formal de regras universalizáveis, como meio de verificar a correção ética das normas de ação.
Adota a situação ideal de fala como condição para a fixação de princípios éticos básicos, a partir da negociação discursiva de regras a serem seguidas pelos envolvidos.
Pauta-se pela teleologia, indicando que o bem supremo do homem consiste em atividades que lhe sejam peculiares, buscando a sua realização de maneira excelente.
Contempla o hedonismo, indicando que o bem supremo a ser alcançado pelo homem reside na felicidade e esta consiste na realização plena dos prazeres.
Baseada no emotivismo, busca justificar a atitude ou o juízo ético mediante o recurso dos próprios sentimentos dos agentes, de forma a influir nas demais pessoas.
Gabarito:
Pauta-se pela teleologia, indicando que o bem supremo do homem consiste em atividades que lhe sejam peculiares, buscando a sua realização de maneira excelente.
a) Incorreta. Orienta-se pelo procedimento formal de regras universalizáveis, como meio de verificar a correção ética das normas de ação.
Aristóteles, embora possua uma ética normativa, não busca estabelecer regras universalizáveis para verificação das normas de ação, pois a ética se baseia no mais das vezes, isto é, naquilo que não é universal, pois o único princípio universal para a ética é a felicidade, que se revela na vida racional e prática.
b) Incorreta. Adota a situação ideal de fala como condição para a fixação de princípios éticos básicos, a partir da negociação discursiva de regras a serem seguidas pelos envolvidos.
Tampouco é uma ética do discurso, como a proposta de Habermas, pois ela prescreve um princípio que é a felicidade.
c) Correta. Pauta-se pela teleologia, indicando que o bem supremo do homem consiste em atividades que lhe sejam peculiares, buscando a sua realização de maneira excelente.
A ética de Aristóteles é teleológica, por isso é compreendida a partir da finalidade de todas as coisas, que, por meio desta, são validadas essas coisas. O fim de todas as coisas é a felicidade, que se manifesta por meio de uma virtude prática e racional. Ter felicidade é ter as coisas nobres da vida, que só podem ser obtidas através do agir virtuoso e reto: a felicidade corresponde ao hábito continuado da prática da virtude e da prudência. A virtude é entendida como excelência (arété), e é somente através do caráter que se atinge a excelência: a boa conduta, a força do espírito, a força da vontade guiada pela razão leva à excelência. Dessa forma, a felicidade está ligada a uma sabedoria prática, a de saber fazer escolhas racionais na vida.
d) Incorreta. Contempla o hedonismo, indicando que o bem supremo a ser alcançado pelo homem reside na felicidade e esta consiste na realização plena dos prazeres.
De fato, o hedonismo busca a felicidade como o bem supremo, porém a identifica com o prazer, noção distinta de Aristóteles, que a identifica com a virtude e a racionalidade, uma excelência moral.
e) Incorreta. Baseada no emotivismo, busca justificar a atitude ou o juízo ético mediante o recurso dos próprios sentimentos dos agentes, de forma a influir nas demais pessoas.
Aristóteles não constrói uma ética emotiva, baseada nas emoções, porém na racionalidade.