(UEL - 2007)
“Deveis saber, portanto, que existem duas formas de se combater: uma, pelas leis, outra, pela força. A primeira é própria do homem; a segunda, dos animais. [...] Ao príncipe torna-se necessário, porém, saber empregar convenientemente o animal e o homem. [...] Sendo, portanto, um príncipe obrigado a bem servir-se da natureza da besta, deve dela tirar as qualidades da raposa e do leão, pois este não tem defesa alguma contra os laços, e a raposa, contra os lobos. Precisa, pois, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. Os que se fizerem unicamente de leões não serão bem-sucedidos. Por isso, um príncipe prudente não pode nem deve guardar a palavra dada quando isso se lhe torne prejudicial e quando as causas que o determinaram cessem de existir”.
Fonte: MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Tradução de Lívio Xavier. São Paulo: Nova Cultural, 1993, cap, XVIII, p.101-102.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre O Príncipe de Maquiavel, assinale a alternativa correta:
Os homens não devem recorrer ao combate pela força porque é suficiente combater recorrendo-se à lei.
Um príncipe que interage com os homens, servindo-se exclusivamente de qualidades morais, certamente terá êxito em manter-se no poder.
O príncipe prudente deve procurar vencer e conservar o Estado, o que implica o desprezo aos valores morais.
Para conservar o Estado, o príncipe deve sempre partir e se servir do bem.
Para a conservação do poder, é necessário admitir a insuficiência da força representada pelo leão e a importância da habilidade da raposa.
Gabarito:
Para a conservação do poder, é necessário admitir a insuficiência da força representada pelo leão e a importância da habilidade da raposa.
e) Correta. Para a conservação do poder, é necessário admitir a insuficiência da força representada pelo leão e a importância da habilidade da raposa.
Para se conservar no poder, o príncipe deve examinar de acordo com as circunstâncias o que é mais útil, o que envolve habilidade e sagacidade, tanto para uso da força, quanto para uso das leis.
a) Incorreta. Os homens não devem recorrer ao combate pela força porque é suficiente combater recorrendo-se à lei.
O texto, fazendo uma dupla analogia com os animais quanto às armas e às leis, não confirma essa tese, mas que ambos são úteis.
b) Incorreta. Um príncipe que interage com os homens, servindo-se exclusivamente de qualidades morais, certamente terá êxito em manter-se no poder.
Não meramente, pois, primeiro, Maquiavel separa a política da ética, que deve ter agora sua própria lei, e, segundo, o uso da força pode ser útil em determinadas circunstâncias, como diz o texto. O que determina o que se deve utilizar em cada situação é a circunstância específica.
c) Incorreta. O príncipe prudente deve procurar vencer e conservar o Estado, o que implica o desprezo aos valores morais.
Nem sempre a vitória e conservação do estado depende do desprezo aos valores morais, porém da circunstância.
d) Incorreta. Para conservar o Estado, o príncipe deve sempre partir e se servir do bem.
Não, pois, primeiro, Maquiavel separa a política da ética, e, segundo, que não há constância no poder, mas a fortuna e é esta que o príncipe deve controlar.