(Uel 2008) Leia o texto a seguir:
Unamo-nos para defender os fracos da opressão, conter os ambiciosos e assegurar a cada um a posse daquilo que lhe pertence, instituamos regulamentos de justiça e de paz, aos quais todos sejam obrigados a conformar-se, que não abram exceção para ninguém e que, submetendo igualmente a deveres mútuos o poderoso e o fraco, reparem de certo modo os caprichos da fortuna.
(ROUSSEAU, J-J. Discours sur l’origine de l’inegalité. apud NASCIMENTO, M. M. Rousseau: da servidão à liberdade. In WEFORT, F. (Org). Os clássicos da política, v. 1. São Paulo: Ática, 1989. p. 195.)
De acordo com o texto e com os conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que reproduz a relação que Rousseau estabelece entre as ideias de Contrato Social e Desigualdade.
O Contrato Social, uma imposição do soberano sobre seus súditos, elimina a liberdade natural e faz aumentar a fortuna dos fortes e opressão sobre os fracos.
O Contrato Social, obrigações impostas pelos fortes para serem cumpridas pelos mais fracos, amplia a desigualdade e a discórdia social.
O Contrato Social, regulamento aplicado a todos, divide igualmente a riqueza e as posses dos fortes entre os mais fracos para poder promover a igualdade social.
O Contrato Social, um pacto legítimo, permite aos homens, em troca de sua liberdade natural, a vida em concórdia, ao estabelecer obrigações comuns a todos e equiparar as diferenças que a sorte fez favorecer a uns e não a outros.
O Contrato social, um pacto de defesa dos mais fracos, elimina a desigualdade, ao submeter os ricos ao poder dos fracos e assim permite que as posses sejam igualmente distribuídas.
Gabarito:
O Contrato Social, um pacto legítimo, permite aos homens, em troca de sua liberdade natural, a vida em concórdia, ao estabelecer obrigações comuns a todos e equiparar as diferenças que a sorte fez favorecer a uns e não a outros.
Para Rousseau, havia dois tipos de desigualdade: a natural, existente em função da natureza (características físicas e psíquicas particulares dos indivíduos), e a moral (ou política), que existe em decorrência do contrato social e da criação do Estado. Dessa forma, o segundo tipo de desigualdade só existiria se fosse estabelecido um pacto, o contrato social, e criado o Estado. Então, na verdade, podemos entender que, para Rousseau, o contrato social fazia surgir um novo tipo de desigualdade antes inexistente entre os homens, ou seja, criava todo um novo tipo de diferenciação social.
A: O Contrato Social, de acordo com Rousseau, não é uma imposição do soberano sobre seus súditos, mas sim um consenso, um pacto legítimo.
B: O texto aponta que a todos são atribuídos tarefas, direitos e leis, "submetendo igualmente a deveres mútuos o poderoso e o fraco". O erro consiste na definição de contrato social e a origem da desigualdade.
C: O Contrato Social não repartia as riquezas dos fortes igualmente entre os fracos, mas buscava reduzir as desigualdades naturais por meio da atribuição de tarefas a todos na sociedade.
D: A alternativa define o Contrato Social, na visão de Rousseau, como um pacto legítimo feito entre os súditos e o soberano: em troca de sua liberdade natural, os homens vivem em paz e concordância uns com os outros. O contrato buscava eliminar as desigualdades naturais atribuindo à todos na sociedade atividades e tarefas.
Mas, considerando que o contrato estabelece a atribuição de tarefas a todos na sociedade, ele equipara diferenças que a comunhão de atividades não supera e leva à desigualdade social (estipular atividades comuns à pessoas diferentes abre espaço para a atuação da sorte, que favorece a uns e não a outros devido às condições anteriores dos indivíduos, gerando a desigualdade). É aí que surge a desigualdade moral.
E: O Contrato Social não era um pacto de defesa dos mais fracos, nem eliminava a desigualdade. Tampouco submetia os fortes ao poder dos fracos ou repartia as riquezas.