(UEL - 2014)
Leia o texto a seguir.
A República de Veneza e o Ducado de Milão ao norte, o reino de Nápoles ao sul, os Estados papais e a república de Florença no centro formavam ao final do século XV o que se pode chamar de mosaico da Itália sujeita a constantes invasões estrangeiras e conflitos internos. Nesse cenário, o florentino Maquiavel desenvolveu reflexões sobre como aplacar o caos e instaurar a ordem necessária para a unificação e a regeneração da Itália.
(Adaptado de: SADEK, M. T. “Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú”. In: WEFORT, F. C. (Org.). Clássicos da política. v.1. São Paulo: Ática, 2003. p.11-24.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia política de Maquiavel, assinale a alternativa correta.
A anarquia e a desordem no Estado são aplacadas com a existência de um Príncipe que age segundo a moralidade convencional e cristã.
A estabilidade do Estado resulta de ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie, mesmo que a realidade seja móvel e a ordem possa ser desfeita.
A história é compreendida como retilínea, portanto a ordem é resultado necessário do desenvolvimento e aprimoramento humano, sendo impossível que o caos se repita.
A ordem na política é inevitável, uma vez que o âmbito dos assuntos humanos é resultante da materialização de uma vontade superior e divina.
Há uma ordem natural e eterna em todas as questões humanas e em todo o fazer político, de modo que a estabilidade e a certeza são constantes nessa dimensão.
Gabarito:
A estabilidade do Estado resulta de ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie, mesmo que a realidade seja móvel e a ordem possa ser desfeita.
b) Correta. A estabilidade do Estado resulta de ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie, mesmo que a realidade seja móvel e a ordem possa ser desfeita.
A alternativa expressa que a realidade é mutável, e não fixa, permanente. Assim, a ordem pode ser desfeita, ou seja, a situação atual pode ser alterada, modificada, segundo as necessidades. Maquiavel determina que o governante deve agir segundo sua virtú para conquistar a fortuna, ou seja, deve lançar mão de suas habilidades no poder para manter a estabilidade de seu governo e a paz ("ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie"). A alternativa expressa que, mesmo que ele se esforce para evitar a barbárie, outros eventos podem vir a ocorrer e reverter a situação (e vice-versa).
a) Incorreta. A anarquia e a desordem no Estado são aplacadas com a existência de um Príncipe que age segundo a moralidade convencional e cristã.
A moralidade convencional e cristã, para Maquiavel, não deve fazer parte do âmbito político, não deve existir no fazer político.
c) Incorreta. A história é compreendida como retilínea, portanto a ordem é resultado necessário do desenvolvimento e aprimoramento humano, sendo impossível que o caos se repita.
A ordem, segundo Maquiavel, é resultado da virtú do príncipe, ou seja, o bom uso de suas habilidades e capacidades no governo, e também do domínio da fortuna, a sorte. O caos sempre é um perigo iminente.
d) Incorreta. A ordem na política é inevitável, uma vez que o âmbito dos assuntos humanos é resultante da materialização de uma vontade superior e divina.
Maquiavel desconsidera completamente qualquer forma de "vontade superior e divina" no âmbito da política.
e) Incorreta. Há uma ordem natural e eterna em todas as questões humanas e em todo o fazer político, de modo que a estabilidade e a certeza são constantes nessa dimensão.
A estabilidade e a certeza não são constantes no fazer político. Ao contrário, Maquiavel afirma que esse espectro está sujeito às imprevisibilidades tanto do governante, quanto das condições do meio (virtú e fortuna).