(UEM - 2020 - Adaptada)
“Concebei agora, se quiserdes, que a pedra, enquanto continua a mover-se, saiba e pense que se esforça tanto quanto pode para continuar a mover-se. Seguramente, essa pedra, visto não ser consciente senão de seu esforço e não ser indiferente, acreditará ser livre e perseverar no movimento apenas porque quer. É essa a tal liberdade humana que todos se jactam de possuir e que consiste apenas em que os seres humanos são cônscios [conscientes] de seus apetites [desejos], mas ignorantes das causas que os determinam. É assim que uma criança crê apetecer livremente o leite; um rapazinho, se irritado, querer vingar-se, mas fugir quando intimidado.”
(ESPINOSA. Carta 58. Apud SAVIAN FILHO, J. Filosofia e filosofias. Existência e sentido. Belo Horizonte: Autêntica, 2016, p. 213).
A partir do fragmento citado e do pensamento ético de Espinosa, assinale o que for verdadeiro com V e o que for incorreto com F
( ) A passagem acima aponta a crítica de Espinosa à concepção tradicional de livre-arbítrio.
( ) A imagem da pedra, segundo o texto, sugere que o seu “querer” provém de sua “consciência”.
( ) O homem, para Espinosa, imagina-se livre porque acredita que é a origem ou o princípio de suas ações.
( ) Para Espinosa, as paixões ou os desejos não influenciam na tomada de nossas decisões.
( ) Espinosa defende uma definição de liberdade na qual existe a possibilidade de cooperação entre razão e paixão.
V, V, F, V, F
V, V, V, F, V
V, V, V, V, F
F, V, F, V, V
F, F, V, F, V
Gabarito:
V, V, V, F, V
b) V, V, V, F, V
(Verdadeira) A passagem acima aponta a crítica de Espinosa à concepção tradicional de livre-arbítrio.
Espinosa traz uma crítica à concepção tradicional de livre-arbítrio, pois a liberdade é apresentada como a consciência das causas que determinam os seus apetites, saber aquilo que move os seus interesses, o que vincula a liberdade à necessidade.
(Verdadeira) A imagem da pedra, segundo o texto, sugere que o seu “querer” provém de sua “consciência”.
O texto, metaforicamente, apresenta a pedra em movimento como consciente de seu esforço para mover-se e associa aí a sua vontade, embora não esteja consciente das causas que a movem.
(Verdadeira) O homem, para Espinosa, imagina-se livre porque acredita que é a origem ou o princípio de suas ações.
Essa é a crítica contra o liver-arbítrio, uma ilusão que julga que o homem imagina-se livre porque acredita que é a origem ou o princípio de suas ações. Porem, estas são causadas por uma cadeia de paixões e necessidades, e a liberdade consiste em tomar consciência delas.
(Falsa) Para Espinosa, as paixões ou os desejos não influenciam na tomada de nossas decisões.
Para Espinosa, as paixões ou os desejos influenciam na tomada de nossas decisões, noção que está implícita no texto. A liberdade é apresentada como a consciência das causas que determinam os seus apetites, saber aquilo que move os seus interesses, isto é, as paixões e os desejos. Isso está relacionado com a servidão humana que Spinoza descreve em sua concepção da ética, pois, enquanto o ser humano não possui consciência das causas de seus apetites, permanece escravo deles.
"[...] É essa a tal liberdade humana que todos se jactam de possuir e que consiste apenas em que os seres humanos são cônscios [conscientes] de seus apetites [desejos], mas ignorantes das causas que os determinam. [...]"
(Verdadeira) Espinosa defende uma definição de liberdade na qual existe a possibilidade de cooperação entre razão e paixão.
A liberdade é o ato de tomar consciência das paixões que movem o sujeito, uma cooperação entre razão e paixão.