(UENP - 2009)
Leia o fragmento:
“Tudo na natureza age segundo leis. Só um ser racional tem a capacidade de agir segundo a representação das leis, isto é, segundo princípios, ou: só ele tem uma vontade. Como para derivar as ações das leis é necessária a razão, a vontade não é outra coisa senão razão prática. Se a razão determina infalivelmente a vontade, as ações de um tal ser, que são conhecidas como objetivamente necessárias, são também subjetivamente necessárias, isto é, a vontade é a faculdade de escolher só aquilo que a razão independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário, quer dizer bom”.
(KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 1995, p. 47.)
Assinale a alternativa correta:
A ética kantiana tem os mesmos princípios da ética aristotélica, e por isso pode ser considerada eudemonista e utilitarista.
Kant afirmava que o princípio da ação moral era o imperativo categórico, que poderia ser reduzido a seguinte assertiva: “...age de tal forma que a máxima de sua ação possa ser universal”.
Kant desenvolve uma ética do dever.
No pensamento kantiano não existe qualquer distinção entre a lei ética, a lei física, a lei moral e a lei jurídica, porque todas possuem o mesmo princípio elementar de fundamento.
O sistema proposto por Kant servirá de crítica para os teóricos posteriores que procuram defender a ideia de “ética mínima”.
Gabarito:
Kant afirmava que o princípio da ação moral era o imperativo categórico, que poderia ser reduzido a seguinte assertiva: “...age de tal forma que a máxima de sua ação possa ser universal”.
b) Correta. Kant afirmava que o princípio da ação moral era o imperativo categórico, que poderia ser reduzido a seguinte assertiva: “...age de tal forma que a máxima de sua ação possa ser universal”.
A ética deontológica de Kant, baseada no dever, se fundamenta numa coerência entre a motivação e a ação, pois eu devo ter os motivos corretos para ação, segundo o dever, a noção do imperativo categórico universal. Uma boa vontade é uma vontade que age por dever, aquilo que é incondicionalmente bom e que, portanto, é uma vontade livre de inclinações empíricas e que age a partir da representação da lei moral. O dever, nas palavras do filósofo, "é a necessidade de uma acção por respeito à lei". Para isso, supõe-se o imperativo categórico que é a expressão do dever máximo: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.” A autonomia da vontade expressa a liberdade, segundo a razão, pois a autonomia é o fundamento de toda a moralidade das ações humanas. Esta autonomia indica a consciência racional de uma lei moral universal, que vale para a vontade de todos os seres racionais. Isto é, não é uma liberdade enquanto a capacidade para realizar o que se bem deseja, porém enquanto a determinação da vontade humana para a lei racional. Este indivíduo torna-se digno da felicidade ao orientar a sua vontade segundo os critérios do imperativo categórico, a razão moral universal.
a) Incorreta. A ética kantiana tem os mesmos princípios da ética aristotélica, e por isso pode ser considerada eudemonista e utilitarista.
A ética kantiana não possui os mesmos princípios da ética aristotélica, pois não está fundamentada na busca pela eudaimonia e por um telos, tampouco a ética aristotélica é utilitarista.
c) Incorreta. Kant desenvolve uma ética do dever.
Há um erro na questão desse vestibular, pois, em tese, essa alternativa não está errada.
d) Incorreta. No pensamento kantiano não existe qualquer distinção entre a lei ética, a lei física, a lei moral e a lei jurídica, porque todas possuem o mesmo princípio elementar de fundamento.
Há distinção entre alguma dessas perspectivas, até porque a razão prática e a epistemologia se operam de maneiras distintas.
e) Incorreta. O sistema proposto por Kant servirá de crítica para os teóricos posteriores que procuram defender a ideia de “ética mínima”.
O sistema proposto por Kant não embasa um tipo de ética mínima.