(CESUPA - 2014)

A imagem da dama, mostrada na charge, comparada ao conjunto de cantores a executar uma cantiga, é desproporcional. Isso reflete a superioridade da senhora contrapondo-se à atitude servil dos cantores. Essa submissão, essa necessidade de prestar serviço a sua senhora, foi tema presente nas cantigas de amor, como pode ser comprovado nos versos
“Pois, senhora, conquanto apenas dor
E nenhuma alegria me causeis,
Se soubésseis o mal que me fazeis,
Posso jurar – perdoa-me, Senhor! –
Que sentíreis compaixão de mim.”
“Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;”
“Quero eu a maneira de um provençal
Fazer agora um cantar d’amor
E quererei muito louvar minha senhora,
A quem mérito e formosura não faltam.”
“Piedade já não pode haver
No universo para os mortais.
Se aquela que a devia ter
Não tem, quem a terá jamais?
Ah! Como acreditar que alguém
De olhar tão doce e clara fronte
Deixe que eu morra sem beber
Água de amor em sua fonte?”
Gabarito:
“Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;”
A) INCORRETA: nesses versos, não vemos uma situação desproporcional entre o homem e a mulher, mas apenas que a mulher causou muita dor ao homem. Logo, o homem não demonstra que está sendo servo dela.
B) CORRETA: é possível perceber que essa é a única alternativa que possui uma descrição explícita da relação de servilismo entre o trovador e sua amada. Nesses trechos destacados, vemos que o trovador fala explicitamente sobre o serviço, assim como o poder que a Senhora tem sobre ele. Veja:
“Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;”
C) INCORRETA: nesse caso, podemos identificar uma relação de dependência muito forte do trovador por sua senhora, mas ainda assim não se demonstra o ato de servir a ela, como pede a questão. Aqui, o trovador só quer cantar o seu amor e louvar a sua senhora, sem nada demarcando seu desejo de servi-la.
D) INCORRETA: pois aqui é demonstrado um sentimento conturbado que o trovador possui por sua amada, e não uma relação de servidão. Nesse caso, o trovador questiona o porquê que sua amada, que aparenta ser tão boa, deixa-o em uma situação de tristeza.