Publicidade
Publicidade

Questão 61230

UEPG 2018
Português

(UEPG - 2018) 

As tulipas do século XXI

As tulipas, flores de origem asiática, caíram no gosto dos holandeses no início do século XVII. A Holanda vivia a sua fase áurea de crescimento comercial, e a nova classe de burgueses investia nas artes, em artigos de luxo – e também nas então flores exóticas. Bulbos diferenciados alcançavam valores elevadíssimos. Investir em tulipas virou uma verdadeira febre. A percepção de que o preço seguiria sempre em alta atraiu especuladores. Pessoas chegaram a vender suas propriedades para especular na ciranda financeira das tulipas. Até que, em 1637, no pico da valorização, não havia mais compradores – e o preço ruiu. O episódio é considerado a primeira grande bolha especulativa. 

Agora a história tem sido relembrada diariamente quando o assunto é outra mania especulativa: as criptomoedas digitais, em particular o bitcoin. Apesar de já ter quase uma década de existência, a moeda virtual chamou atenção mais recentemente em decorrência de sua vertiginosa valorização. Em 2017, teve uma alta de 1500% em relação ao dólar. Quem colocou 10.000 reais na poupança no início deste ano lucrou cerca de 700 reais. Alguém que tenha comprado a mesma quantia em bitcoins possui agora mais de 165.000 reais. Para os entusiastas do dinheiro digital, não se trata de uma bolha, mas sim do início de uma revolução no sistema financeiro. 

Além do bitcoin, ganham adeptos pelo mundo outras moedas virtuais, entre elas o ethereum e o litecoin – todas criadas ao largo das instituições e concebidas por ases da computação. As autoridades começam a se preocupar. Temem que as bolhas virtuais contaminem o mundo real. O fato é que, sob a liderança de jovens libertários aficionados de tecnologia, essas moedas ganham legitimidade e são aceitas por um número crescente de estabelecimentos comerciais. A cada dia surgem notícias de jovens que faturaram alto com a valorização, o que atrai novos compradores. Mas e se, como no caso das tulipas holandesas, os preços caírem de uma hora para outra? 

Adaptado de: Revista Veja, de 27.12.2017, Editora Abril, página 84, 
Seção Economia, escrita por Giovanni Magliano.

 

No que se refere à classificação das orações que compõem os períodos do texto, assinale o que for correto. 

 

01. "que faturaram alto com a valorização..." (penúltimo período do texto) – subordinada adjetiva restritiva. 

02. "que as bolhas virtuais contaminem o mundo real" (3º período do 3º parágrafo) – subordinada substantiva objetiva direta. 

04. "que (...) essas moedas ganham legitimidade..." (4º período do 3º parágrafo) – subordinada substantiva predicativa. 

08. "quando o assunto é outra mania especulativa..." (1º período do 2º parágrafo) – subordinada adverbial temporal. 

16. "apesar de já ter quase uma década de existência..." (2º período do 2º parágrafo) – subordinada adverbial concessiva.

 

A soma das alternativas corretas é igual a:

A

31

B

27

C

30

D

28

E

29

Gabarito:

31



Resolução:

01. "que faturaram alto com a valorização..." (penúltimo período do texto) – subordinada adjetiva restritiva.
Correta. Como no texto essa oração está sendo colocada logo após o substantivo e sem vírgulas, vemos que ela pode ser substituída por um adjetivo (ou seja, uma oração com valor de adjetivo) e ela está restringindo que tipo de jovens são

02. "que as bolhas virtuais contaminem o mundo real" (3º período do 3º parágrafo) – subordinada substantiva objetiva direta.
Correta. Vemos que essa oração vem logo após o verbo "Temem". Além disso, sabemos que esse verbo necessita de um complemento para fazer sentido (temem o quê? Temem isso). Logo, esse "o quê" que completa o sentido do verbo é completado por essa oração em questão, o que faz com que seja uma oração que tenha valor de substantivo (temem isso) e que tem a função de um objeto direto.

04. "que (...) essas moedas ganham legitimidade..." (4º período do 3º parágrafo) – subordinada substantiva predicativa.
Correta. É possível perceber que essa oração "que (...) essas moedas..." vem logo após um verbo de ligação é (ser). Como sempre que há esse tipo de verbo temos uma oração com um sujeito e um predicado e o predicado vem sempre após o verbo de ligação, essa oração que foi destacada está na posição do predicado e tem uma função predicativa.

08. "quando o assunto é outra mania especulativa..." (1º período do 2º parágrafo) – subordinada adverbial temporal. 
Correta. Vemos que essa oração está colocada logo após uma oração principal que tem sentido completo (Agora a história tem sido relembrada diariamente). Ou seja, descarta a opção de ser uma oração substantiva. Por outro lado, vemos que o uso de uma conjunção temporal "quando" está marcando o tempo que está ocorrendo a situação da oração principal. Logo, uma oração adverbial temporal.

16. "apesar de já ter quase uma década de existência..." (2º período do 2º parágrafo) – subordinada adverbial concessiva.
Correta. Podemos dizer que é uma oração com valor de uma concessão, porque essa oração por inteiro altera o sentido da oração seguinte (a moeda virtual chamou atenção mais recentemente...). Por alterar essa oração inteira, sabemos que se trata de uma oração adverbial. Por outro lado, vemos que essa oração subordinada está se contrapondo com o que será dito em sequência (apesar de todo o tempo que passou, a moeda ainda chama atenção), mas não impede a sua ocorrência.

Logo, como todas as alternativas estão certas, temos a somatória: 01 + 02 + 04 + 08 + 16 = 31Letra a

 

Publicidade