(Uerj 2001) "Efetivamente a cidade teve um progresso rápido. Muitos homens adotaram gravatas e profissões desconhecidas. Os carros de bois deixaram de chiar nos caminhos estreitos. O automóvel, a eletricidade e o cinema. E impostos."
RAMOS, Graciliano. "São Bernardo". São Paulo: Record. 1988 - original de 1934.
"Talvez possa dizer que esse desencontro entre a sociedade e a economia seja um dos segredos da prosperidade dos negócios. As expansões do capital beneficiam-se das condições adversas sob as quais os trabalhadores são obrigados a produzir, no campo e na cidade. (...) Os setores sociais 'participantes' têm uma base na exploração dos excluídos."
IANNI, Octavio. "A Ideia do Brasil Moderno". São Paulo: Brasiliense, 1992.
No texto do romancista apresentam-se aspectos de um processo criticado de modo significativo no texto do sociólogo lanni.
O processo e o principal indicador crítico referidos nos textos podem ser identificados em:
desenvolvimento industrial - experiência de concentração de poder e de capital pelo Estado nacional
urbanização acelerada - desencontro de interesses entre o rural e o urbano pela ação da sociedade
crescimento econômico - permanência dos problemas sociais e econômicos pela ineficiência da burguesia industrial
modernização econômica - produção simultânea de prosperidade e de desigualdade social pelos mesmos agentes
Gabarito:
modernização econômica - produção simultânea de prosperidade e de desigualdade social pelos mesmos agentes
a) Incorreta. A crítica a esse processo não se relaciona com a experiência do Estado em concentrar poder e capital: “As expansões do capital” dizem respeito à esfera privada de propriedade, dado que um princípio do capitalismo é a diminuição (ou até erradicação) da intervenção estatal no âmbito econômico, ou seja, ele é pautado pelo “desencontro entre a sociedade e a economia”.
b) Incorreta. Não seria incorreto falar de urbanização acelerada (“Efetivamente a cidade teve um progresso rápido”), porém, os textos não têm enfoque numa dinâmica desigual entre ambientes rurais e urbanos, há menção sobre um “desencontro”, mas este é entre a sociedade e a economia.
c) Incorreta. Podemos apontar uma relação com o crescimento econômico (“prosperidade dos negócios”, “expansões do capital”), mas não se trata de uma burguesia industrial, e sim capitalista. Ademais, nunca houve nenhum tipo de compromisso entre esse grupo e a mitigação de problemas socioeconômicos, seu interesse sendo “a prosperidade dos negócios”: eles se beneficiam “das condições adversas sob as quais os trabalhadores são obrigados a produzir, no campo e na cidade. (…) Os setores sociais 'participantes' têm uma base na exploração dos excluídos.”
d) Correta. O texto 1 aponta e descreve essa modernização econômica (“Os carros de bois deixaram de chiar nos caminhos estreitos. O automóvel, a eletricidade e o cinema.”), ao passo que o texto 2 critica que, apesar de todo esse desenvolvimento, são muitas as desigualdades que provém dele e de seus agentes: “As expansões do capital beneficiam-se das condições adversas sob as quais os trabalhadores são obrigados a produzir, no campo e na cidade. (…) Os setores sociais 'participantes' têm uma base na exploração dos excluídos”