(UERJ–2011)
Instrução: Leia o texto a seguir.
Múltiplo sorriso
Pendurou a última bola na árvore de Natal e deu alguns passos atrás. Estava bonita. Era um pinheiro artificial, mas parecia de verdade. Só bolas vermelhas. Nunca deixava de armar sua árvore, embora as amigas dissessem que era bobagem fazer isso quando se mora sozinha. Olhou com mais vagar. Na luz do fim da tarde, notou que sua imagem se espelhava nas bolas. Em todas elas, lá estava seu rosto, um pouco distorcido, é verdade – mas sorrindo. “Estão vendo?”, diria às amigas, se estivessem por perto. “Eu não estou só.”
SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2010.
“Estão vendo?”, diria às amigas, se estivessem por perto. O trecho anterior revela o choque entre o mundo imaginário da personagem e a realidade de sua solidão.
Esse choque entre imaginação e realidade é enfatizado pela utilização do seguinte recurso de linguagem:
A) O uso das aspas duplas
B) O emprego dos modos verbais
C) A presença da forma interrogativa
D) A referência à proximidade espacial
Gabarito:
B) O emprego dos modos verbais
O uso das aspas dupla. Comentário: alternativa incorreta, pois o uso das aspas dupla é utilizado apenas como indicativo do diálogo da personagem, como em: “Estão vendo?”;" “Eu não estou só.”
O emprego dos modos verbais. Comentário: alternativa correta, pois a dobra imaginação/realidade é descortinada pelo contraste entre dois tempos e modos: estão (presente do indicativo - que indica presença do interlocutor, no campo da imaginação) e estivessem (pretérito imperfeito do subjuntivo - que indica hipótese, nesse caso, ausência, no campo da realidade).
A presença da forma interrogativa. Comentário: alternativa incorreta, pois a forma negativa no texto está com a finalidade de apenas focar uma negação de algum determinado fato não exprimindo a relação de imaginação e realidade.
A referência à proximidade espacial. Comentário: alternativa incorreta, pois a referência espacial não é relacionado com a questão da distinção temporal(imaginação e realidade).