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Questão 46793

UERJ 2019
Português

(UERJ 2019) 

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto 
Silencioso e branco como a bruma 
E das bocas unidas fez-se a espuma 
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 

De repente da calma fez-se o vento 
Que dos olhos desfez a última chama 
E da paixão fez-se o pressentimento 
E do momento imóvel fez-se o drama. 

De repente, não mais que de repente 
Fez-se de triste o que se fez amante 
E de sozinho o que se fez contente. 

Fez-se do amigo próximo o distante 
Fez-se da vida uma aventura errante 
De repente, não mais que de repente.

MORAES, Vinícius de. Livro de Sonetos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009
 

Uma série de transformações é apresentada pelo verbo fazer acompanhado da palavra se

Na cena construída no poema, essa estrutura linguística produz o seguinte efeito: 

A

apagamento dos parceiros da relação. 

B

esquecimento da sensação de perda. 

C

neutralização dos espaços de conflito. 

D

indefinição dos momentos de despedida. 

Gabarito:

apagamento dos parceiros da relação. 



Resolução:

[A]

As construções "fazer-se" e "se fazer", utilizadas tanto como verbos passivos (ex: "do riso fez-se o pranto; da calma fez-se o vento") quanto como índices de indeterminação do sujeito (ex: "fez-se do amigo próximo o distante") constituem um ocultamento de possíveis agentes para as ações de separação expressas no poema. O enfoque de Moraes recai sobre as transformações, as consequências das ações, e não sobre os sujeitos da relação, que são apagados por meio dessas estruturas verbo-pronominais.  

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