(EBMSP 2017)
A inventividade das empresas farmacêuticas reduz-se ao controle e direcionamento da autoridade e da força persuasória da preocupação com a saúde no sentido de uma busca cada vez mais intensa de aptidão física e de autoconfiança – luta que nós, consumidores numa sociedade de consumidores, fomos impelidos, persuadidos e treinados a travar. Já se tornou parte de nossa filosofia de vida – ou melhor, de nosso senso comum – que acatar a via para melhorar a aptidão física e ter mais autoconfiança passa pelo estudo atento das novas peças publicitárias e termina nas lojas. Integrando nosso senso comum, isto é, fazendo parte da lista de coisas que “todo mundo sabe”, “todo mundo aceita” e “todo mundo faz”, esses truísmos se converteram no mais importante e inesgotável recurso das empresas em sua luta por lucros cada vez maiores.
BAUMAN, Zygmunt. Remédios e Doenças. In: 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno. Tradução Vera Pereira. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 94.
Infere-se do discurso de Zygmunt Bauman que a saúde, na contemporaneidade,
prescinde da importância dos movimentos corporais e da autoestima como condições básicas para se atingir o verdadeiro bem-estar
está condicionada a valores mercadológicos, que limitam à aptidão física e à autoconfiança, em decorrência do poder de persuasão da propaganda.
precisa ter sua relevância disseminada em toda a sociedade consumista por meio de publicidades que explorem informações ainda desconhecidas por algumas pessoas
perpassa pelo interesse do mercado produtor, que desconsidera a necessidade de aquisição de certas capacidades pelo ser humano para que tenha uma melhor qualidade de vida.
é concebida pelo corpo social a partir de conhecimentos genéricos e superficiais, que vão de encontro à ideologia das grandes indústrias farmacêuticas.
Gabarito:
está condicionada a valores mercadológicos, que limitam à aptidão física e à autoconfiança, em decorrência do poder de persuasão da propaganda.
b) Correta. está condicionada a valores mercadológicos, que limitam à aptidão física e à autoconfiança, em decorrência do poder de persuasão da propaganda.
Zygmunt Bauman vê a saúde como um fenômeno social complexo e multifacetado que está profundamente enraizado em nossa experiência cotidiana e em nossas interações sociais. Ele argumenta que a saúde não deve ser vista apenas como uma questão individual ou biológica, mas também como um produto das condições sociais, culturais e políticas em que vivemos.
a) Incorreta. prescinde da importância dos movimentos corporais e da autoestima como condições básicas para se atingir o verdadeiro bem-estar.
Para Bauman, a saúde, na contemporaneidade, não prescinde da importância dos movimentos corporais e da autoestima como condições básicas para se atingir o verdadeiro bem-estar.
c) Incorreta. precisa ter sua relevância disseminada em toda a sociedade consumista por meio de publicidades que explorem informações ainda desconhecidas por algumas pessoas.
Bauman não compreende que a saúde precisa ter sua relevância disseminada em toda a sociedade consumista por meio de publicidades, como uma forma de marketing agressivo, pois vê criticamente o papel da mídia.
d) Incorreta. perpassa pelo interesse do mercado produtor, que desconsidera a necessidade de aquisição de certas capacidades pelo ser humano para que tenha uma melhor qualidade de vida.
O mercado mercado produtor não desconsidera a necessidade de aquisição de certas capacidades pelo ser humano para que tenha uma melhor qualidade de vida, mas apenas limita a saúde à aptidão física e à autoconfiança.
e) Incorreta. é concebida pelo corpo social a partir de conhecimentos genéricos e superficiais, que vão de encontro à ideologia das grandes indústrias farmacêuticas.
Na verdade, existe um movimento ideológico das grandes indústrias farmacêuticas que influencia esse processo.