(UFJF - 2017)
O dia em que nasci moura e pereça
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
CAMÕES, Luis Vaz de. 200 sonetos. Porto Alegre: L&PM, 1998.
No poema é possível localizar uma crise do humanismo renascentista que se expressa de forma:
realista.
fatalista.
romântica.
otimista.
idealista.
Gabarito:
fatalista.
Resposta Correta: B
No poema “O dia em que nasci moura e pereça”, o eu lírico expressa o seu desespero e impotência perante o destino adverso que lhe foi traçado no dia em que nasceu. Assim, é correta a opção [B], pois a visão fatalista da existência estabelece, como premissa, a ideia de que todos os acontecimentos ocorrem de acordo com um destino fixo e inexorável, não controlado ou influenciado pela vontade humana.