(Ufma 2005) “A rua era das mais animadas da cidade; por todo o dia estivera cheia de gente. Mas agora, ao anoitecer, a multidão crescia de um minuto para outro; e quando se acenderam os lampiões de gás, duas densas, compactas correntes de transeuntes cruzavam diante do café. Jamais me sentira num estado de ânimo como o daquela tarde; e saboreei a nova emoção que de mim se apossara ante o oceano daquelas cabeças em movimento. Pouco a pouco perdi de vista o que acontecia no ambiente em que me encontrava e abandonei-me completamente à contemplação da cena externa.”
(Walter Benjamin – Sobre alguns temas em Baudelaire)
O texto nos leva a uma compreensão de estética como:
uma concepção de que o belo não está em uma forma definida, mas na plasticidade do cotidiano.
um estudo do caos humano representado pela multidão e suas relações econômicas.
estabelecimento de um padrão de beleza para a obra de arte.
técnica de reprodução da obra de arte em massa.
imitação do mundo sensível.
Gabarito:
uma concepção de que o belo não está em uma forma definida, mas na plasticidade do cotidiano.
No texto, o autor descreve um momento de contemplação vivido por ele, em uma rua qualquer da cidade. A cena retrata a rua como um lugar familiar, já conhecido do narrador, mas que se transforma naquele momento por conta das coisas que estão acontecendo ao seu redor.
Observe: “A rua era das mais animadas da cidade; por todo o dia estivera cheia de gente. Mas agora, ao anoitecer, a multidão crescia de um minuto para outro [...]. Jamais me sentira num estado de ânimo como o daquela tarde; e saboreei a nova emoção que de mim se apossara ante o oceano daquelas cabeças em movimento.” — Revela-se proximidade com o espaço e conhecimento acerca do ambiente. As mudanças e a mobilidade deste ambiente familiar provocam o despertar dos sentidos para a contemplação.
Neste trecho, compreende-se a estética a partir da concepção de que o belo não está em uma forma definida, mas na plasticidade do cotidiano. O narrador, com sua descrição da rua e do ambiente, que naquele momento lhe provocam uma nova sensação, revela que o belo existe nas variadas formas que podem ser assumidas pelo cotidiano, nas diferentes maneiras que ele pode ser visto e vivido.
Alternativa A.