(UFMG) Todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre a atividade pecuária no processo de colonização no Brasil, EXCETO:
Constituiu-se numa atividade subsidiária da grande lavoura.
Criou núcleos urbanos destinados ao comércio do couro.
Destinou grande parte da produção de charque para o mercado externo.
Foi um dos elementos importantes na interiorização da colonização.
Produziu a figura do vaqueiro, um trabalhador livre geralmente pago em espécie.
Gabarito:
Destinou grande parte da produção de charque para o mercado externo.
a) Constituiu-se numa atividade subsidiária da grande lavoura.
Correta. Destinada ao mercado interno, a pecuária inicialmente era praticada dentro das lavouras, mas com o passar do tempo, o crescimento do rebanho de gado acabou causando problemas no interior das plantações de açúcar, e a partir de então núcleos urbanos do interior em formados especialmente em prol do comércio.
b) Criou núcleos urbanos destinados ao comércio do couro.
Correta. Diversos núcleos urbanos surgiram e se desenvolveram, uma vez que eram organizadas feiras em que o comércio se desenvolvia no interior, e esses animais eram negociados. Além de ocupar uma importante posição no ambiente colonial, a expansão da pecuária foi de grande importância no processo de ampliação do território.
c) Destinou grande parte da produção de charque para o mercado externo.
Incorreta. A pecuária no Brasil Colônia era destinada a suprir o mercado interno, e as charqueadas, ou mesmo a pecuária voltada à exportação, começam a se desenvolver especialmente após o século XVIII, com o fim do Pacto Colonial.
d) Foi um dos elementos importantes na interiorização da colonização.
Correta. A pecuária garantiu a subsistência e a distribuição alimentar durante diversos períodos em que a produção impulsionada pela metrópole era do açúcar ou a busca por metais preciosos.
e) Produziu a figura do vaqueiro, um trabalhador livre geralmente pago em espécie.
Correta. A história do vaqueiro é paralela ao desenvolvimento da criação de gado no Brasil. Para cuidar e conduzir os rebanhos, os homens do sertão se submetiam a longas e perigosas jornadas de trabalho levando os animais de um ponto para outro ou buscando o animal perdido, com o pagamento pelos serviços prestados sendo comumente realizado com o repasse de novos animas que surgiam no rebanho.
Ocorre que nos primeiros anos de colonização no Brasil, não haviam moedas. O escasso comércio interno era feito por sistema de trocas, em que eram usados pau-brasil, pano de algodão, açúcar, fumo, entre outros - diversos historiadores estudam o uso da "moeda-mercadoria" no Brasil colônia, deixarei uma recomendação de leitura ao fim do texto, caso você tenha interesse em se aprofundar nessa especificidade. Com o avanço da colonização, começaram a circular pelo país as primeiras moedas, trazidas pelos estrangeiros. Como o Brasil era colônia de Portugal, o padrão monetário do período era o mesmo da metrópole: o real - os reais, plural de real, ficaram popularizados como réis especialmente ao longo do século XVIII e XIX, quando se intensificava o comércio.
Sendo assim, com o advento e o fortalecimento das atividades mineradoras nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a pecuária ampliou seu mercado consumidor estabelecendo novas frentes de expansão no Nordeste e na região Sul do território. Além de servir para o abastecimento da população, a atividade pecuarista também consolidou o comércio de equinos usados para o transporte, e também eram organizadas feiras em alguns centros urbanos do interior onde esses animais eram negociados. Por isso consideramos que o pagamento era realizado em espécie: dada a importância da "moeda-mercadoria" no Brasil colônia, e pela possibilidade efetiva dos negócios envoltos sob as feiras.