(UFMG) ... Não castigar os excessos que eles [os escravos] cometem seria culpa não leve, porém estes [senhores] hão de averiguar antes, para não castigar inocentes, e se hão de ouvir os delatados e, convencidos, castigar-se-ão com açoites moderados ou com os meterem em uma corrente de ferro por algum tempo ou tronco. Castigar com ímpeto, com ânimo vingativo, por mão própria e com instrumentos terríveis e chegar talvez aos pobres com fogo ou lacre ardente, ou marcá-los na cara, não seria para se sofrer entre os bárbaros, muito menos entre os cristãos católicos.
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil.1711.
O texto acima, escrito por um padre jesuíta em 1711, pode ser relacionado à
associação entre a escravidão e a moral cristã.
condenação dos castigos aplicados aos escravos.
oposição do clero católico à escravidão.
regulamentação das relações entre senhores e escravos.
defesa dos clérigos da colônia pelo fim da escravidão.
Gabarito:
associação entre a escravidão e a moral cristã.
a) associação entre a escravidão e a moral cristã.
Correta. Na inflexão do jesuíta, nota-se uma busca pela moderação em punições atribuídas aos escravizados, e por meio dela, pode-se observar a permissão à prática e a legitimação à escravidão que era fornecida pela religião.
b) condenação dos castigos aplicados aos escravos.
Incorreta. Os castigos não são condenados, não se busca uma abolição destes. No texto, o jesuíta busca maior moderação nessa prática.
c) oposição do clero católico à escravidão.
Incorreta. No texto a escravidão é naturalizada, isto é, vista como algo natural e legítimo. Logo, não há oposição à escravidão.
d) regulamentação das relações entre senhores e escravos.
Incorreta. Há aconselhamentos, voltados ao ordenamento religioso presente com hegemonia na época. Estes, não dotavam de um caráter oficial, eram consultivos, e portanto, não regulamentavam tais relações citadas na alternativa.
e) defesa dos clérigos da colônia pelo fim da escravidão.
Incorreta. No texto a escravidão é naturalizada, isto é, vista como algo natural e legítimo.