(IFMT - 2014)
Leia o texto abaixo e responda a questão.
Exame de admissão ao doutoramento
Quando eu ainda era professor universitário, fui nomeado presidente de uma comissão que iria examinar os candidatos ao doutoramento. Uma longa lista de livros havia sido preparada com antecedência, livros que os candidatos deveriam estudar. Aí, no dia do exame, tive uma ideia que submeti aos meus colegas e eles concordaram. Em vez de inquirir os candidatos sobre as ideias de outros escritas nos livros, ideias que nós já conhecíamos, por que não pedir que eles nos falassem sobre suas próprias ideias? Falando sobre suas ideias teríamos condições de conhecê-los melhor. Assim, quando o candidato passava pela porta da sala, trêmulo, esperando as perguntas terríveis sobre a bibliografia, eu lhe pedia: “Por favor, fale-nos sobre aquilo que gostaria de falar...”. Pensei que seria uma felicidade: falar sobre aquilo que pensavam! Foi não. Foi um choque. De tanto ler o que os outros pensavam, eles se haviam esquecido daquilo que eles mesmos pensavam. Uma jovem entrou em surto, achando que se tratava de um truque. Poucos tiveram ideia sobre o que falar. O que nos levou a pensar que talvez seja isto que acontece: de tanto ler as ideias de outros, os alunos se esquecem de que eles também podem pensar e que seu pensamento é importante. [...] E, em oposição àqueles que ensinam leitura dinâmica, Schopenhauer afirma que a leitura só é boa quando é bovina, quando leva à ruminação.
(ALVES, R. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Planeta, 2013.)
Sobre o segmento a leitura só é boa quando é bovina, quando leva à ruminação, pode-se ter a seguinte interpretação:
A leitura torna-se significativa quando leva tempo a ser realizada.
Se ruminar indica mastigação lenta, leitura boa significa demorada.
Quando a leitura produz reflexão, torna-se significativa.
Leitura bovina é leitura de grandes obras, clássicos da literatura.
Gabarito:
Quando a leitura produz reflexão, torna-se significativa.