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Questão 30494

UFPEL 2016
Português

(Fmp 2016)  Somos todos poetas

Assisto em mim a um desdobrar de planos.
as mãos veem, os olhos ouvem, o cérebro se move,
A luz desce das origens através dos tempos
E caminha desde já
Na frente dos meus sucessores.
Companheiro,
Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo da tua alma.
Sou todos e sou um,
Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do cego,
Pelos gritos isolados que não entraram no coro.
Sou responsável pelas auroras que não se levantam
E pela angústia que cresce dia a dia.
 
MENDES, M. A poesia em pânico. Rio de Janeiro:
Cooperativa Cultural Guanabara, 1938

O texto exemplifica a seguinte afirmativa a respeito da obra de Murilo Mendes:

A

O estranhamento provocado por metáforas inusitadas instaura uma simbologia especial.

B

O componente religioso e o tom confessional são característicos de seus poemas.

C

A estrutura rimada das estrofes é uma característica básica de todos os seus poemas.

D

A temática de cunho social pauta-se na esperança de eliminação das diferenças sociais.

E

A ironia de seus textos apoia-se na cuidadosa escolha de palavras de cunho erudito.

Gabarito:

O estranhamento provocado por metáforas inusitadas instaura uma simbologia especial.



Resolução:

 [A]

 

[A] Correta – Murilo Mendes faz uso de associações inesperadas e paradoxais, como “Sou todos e sou um” e “A luz desce das origens através dos tempos / E caminha desde já / Na frente dos meus sucessores.”. Como um poeta simbolista moderno, tais imagens remetem ao caos e ao pânico necessários à construção de um novo contexto.

[B] Incorreta – Apesar de o elemento religioso estar presente na poesia de Murilo Mendes, não há no trecho selecionado tal referência.

[C] Incorreta – é pressuposto do Modernismo e do Surrealismo, vertentes a que o poeta se filia, a ruptura com valores clássicos da poesia, como estrutura rimada.

[D] Incorreta – O desconforto do eu lírico está voltado a si próprio, sem que o cunho social se faça presente.

[E] Incorreta – No trecho apresentado, não há menção à ironia; o eu lírico responsabiliza-se pelo desconforto nos últimos dois versos, ratificando o que afirmara.  

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