(UFSM - 2014)
Viva melhor com menos sal
A humanidade parece ter um problema recorrente com o uso do sal [...]. O historiador britânico Felipe Fernandez-Arnesto, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, diz que, desde que os primeiros humanos deixaram de ser nômades, houve um crescimento explosivo do uso do sal. A ingestão diária aumentou cinco ou seis vezes desde o período paleolítico – com enorme aceleração nas últimas décadas. A American Heart Association, que reúne os cardiologistas americanos, estima que mudanças no estilo de vida provocaram aumento de 50% no consumo de sal desde os anos 1970. Em boa medida, graças 1ao consumo de comida industrializada.
A culpa pelo abuso do sal não deve, porém, ser atribuída somente 2à indústria. A maior responsabilidade cabe ao nosso paladar. Os especialistas acreditam que a natureza gravou em nosso cérebro circuitos que condicionam a gostar de sal e procurar por ele – em razão do sódio essencial que contém. A indústria, assim como a arte gastronômica, responde 3ao desejo humano. “É provável que o sal seja tão apreciado porque tem a capacidade de ativar o sistema de recompensa do nosso cérebro”, diz o neurofisiologista brasileiro Ivan de Araújo, afiliado à Universidade Yale, nos Estados Unidos. Isso significa que sal nos deixa felizes [...].
Com base nas repercussões negativas na saúde pública, muitos médicos têm falado em “epidemia salgada” e promovido um movimento similar 4àquele que antecedeu as restrições impostas ao tabaco e ao álcool. Desde 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanhas para chamar a atenção sobre o excesso de sal. O movimento que defende as restrições ao sal já chegou 5ao Brasil. Na segunda quinzena de junho, reuniram-se em Brasília representantes do meio acadêmico, da indústria de alimentos, técnicos do Ministério da Saúde, da Agricultura e da Anvisa, agência federal que regulamenta a venda de comida industrializada e remédios. Como meta, discutiu-se passar, emdez anos, de 12 gramas per capita de sal por dia para os 5 gramas recomendados pela OMS. “Essa mudança ajudaria a baixar em 10% a pressão arterial dos brasileiros. Seria 1,5 milhão de pessoas livres de medicação para hipertensão”, diz a nefrologista Frida Plavnik, representante da Sociedade Brasileira de Hipertensão na reunião. Segundo ela, haveria queda de 15% nas mortes causadas por derrames e de 10% naquelas ocasionadas por infarto.
Fonte: Época. Seção Saúde & Bem-estar. 26 jul. 2010. p. 89-94. (adaptado)
Assinale a alternativa em que a substituição proposta mantém o sentido no texto e está de acordo com a norma-padrão.
“ao consumo” (ref. 1) por a utilização
“à indústria” (ref. 2) por à processos industriais
“ao desejo humano” (ref. 3) por à vontade das pessoas
“àquele” (ref. 4) por aquela campanha
“ao Brasil” (ref. 5) por no país
Gabarito:
“ao desejo humano” (ref. 3) por à vontade das pessoas
[C]
a) “ao consumo” (ref. 1) por a utilização → INCORRETO: falta a crase, pois utilização é um substantivo feminino e determinado.
b) “à indústria” (ref. 2) por à processos industriais → INCORRETO: não pode haver crase diante de substantivos masculinos, como é o caso de "processos". Além disso, para que houvesse o artigo, ele deveria estar no plural (aos processos industriais).
c) “ao desejo humano” (ref. 3) por à vontade das pessoas → CORRETO: o sentido é preservado, e relação preposição + artigo definido (presente em "ao desejo") é mantida pela crase em "à vontade";
d) “àquele” (ref. 4) por aquela campanha → INCORRETO: falta a crase em "àquela campanha", uma vez que o adjetivo "similar" continua sendo regente nesse caso;
e) “ao Brasil” (ref. 5) por no país → INCORRETO: segundo a norma padrão, a preposição correta para o verbo "chegar" é a, e não em.