(UFU - 2002)
Hume escreveu:
“Quando pensamos numa montanha de ouro, apenas unimos duas idéias compatíveis, ouro e montanha, que outrora conhecêramos. Podemos conceber um cavalo virtuoso, pois o sentimento que temos de nós mesmos nos permite conceber a virtude e podemos uni-la à figura e forma de um cavalo, que é um animal bem conhecido”.
(HUME. “Investigações acerca do entendimento humano” — Seção II. In: Da origem das idéias. Coleção “Os Pensadores”. São Paulo: Abril Cultural, 1989).
Observando os exemplos empregados pelo filósofo escocês, analise as assertivas abaixo.
I – Todas as ideias utilizadas pela razão originam-se, diretamente, do pensamento puro, sem nenhuma relação com as sensações.
II – A vinculação de uma coisa – o ouro, com outra – a montanha, não depende da vontade de querer associá-las.
III – Tudo aquilo que está no pensamento deriva das sensações externas e internas: o cavalo e a virtude do exemplo acima.
IV- Toda composição das coisas, conhecidas em separado, depende do espírito e da vontade que as empregam.
Assinale a alternativa que contém as assertivas verdadeiras.
Apenas II e III.
Apenas I, III e IV.
Apenas I e II.
Apenas III e IV.
Gabarito:
Apenas III e IV.
d) Apenas III e IV.
I. Incorreta – Todas as ideias utilizadas pela razão originam-se, diretamente, do pensamento puro, sem nenhuma relação com as sensações.
Trata-se de uma hipótese racionalista, a qual Hume se opõe a partir do empirismo. As ideias se originam nas sensações.
II. Incorreta – A vinculação de uma coisa – o ouro, com outra – a montanha, não depende da vontade de querer associá-las.
A vinculação de uma coisa com outra na realidade depende da vontade em querer associá-las, pois a mente humana não cria, apenas combina dados sensíveis.
III. Correta – Tudo aquilo que está no pensamento deriva das sensações externas e internas: o cavalo e a virtude do exemplo acima.
O filósofo situa-se na perspectiva empirista, e, por isso, acredita que todas as nossas ideias são adquiridas por meio da experiência sensorial. Como empirista, Hume produz um mapeamento mental das ideias, de onde elas provém, uma geografia mental que pretende estabelecer a conexões das ideias com suas impressões sensíveis.
IV. Correta - Toda composição das coisas, conhecidas em separado, depende do espírito e da vontade que as empregam.
Aparentemente, o pensamento parece atuar ilimitadamente, ao criar e imaginar, porém, ao simplificar suas operações, compreende-se que ele atua de modo bastante estreito: ele pode compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que os sentidos e a experiência nos fornecem. Portanto, todos pensamentos e ideias atuam como cópias das impressões.