(UFU - 2002)
Agostinho de Hipona (354-430 d.C) formula sua teoria do conhecimento a partir da máxima “creio tudo o que entendo, mas nem tudo que creio conheço”. A posição do autor não impede que cada um busque a sabedoria com suas próprias forças; o que ainda não é conhecido pode ser revelado mediante a consulta da verdade interior. Neste sentido, sua concepção do homem está estreitamente ligada a sua noção de conhecimento.
Em acordo com Agostinho, pode-se concluir que:
É incorreto afirmar que a verdade interior que soa no íntimo das pessoas seja o Cristo; e o arbítrio humano é consultado sobre o que não se conhece.
As coisas que ainda não conhecemos só podem ser percebidas pelos sentidos do corpo e podem ser comunicadas facilmente por intermédio das palavras.
A verdade interior está à disposição de cada um e encontra-se armazenada na memória, de modo que o uso da memória dispensa a contemplação da luz interior.
A verdade interior só pode ser percebida pelo homem interior, que é iluminado pela luz desta verdade interior, que é contemplada por cada um.
Gabarito:
A verdade interior só pode ser percebida pelo homem interior, que é iluminado pela luz desta verdade interior, que é contemplada por cada um.
d) Correta. A verdade interior só pode ser percebida pelo homem interior, que é iluminado pela luz desta verdade interior, que é contemplada por cada um.
Agostinho elabora uma doutrina filosófica, sob influência platônica, na qual leva o homem a retornar a si mesmo, a fim de contemplar a Verdade não nas coisas sensíveis e terrenas, mas dentro de si mesmo. Porém, ao contemplar a Verdade, por meio da luz divina, o que vê não é a si mesmo, mas a Deus dentro de seu interior, em uma contemplação do Bem, cuja iluminação leva ao conhecimento de si mesmo e de volta para Deus.
a) Incorreta. É incorreto afirmar que a verdade interior que soa no íntimo das pessoas seja o Cristo; e o arbítrio humano é consultado sobre o que não se conhece.
Na verdade, para Agostinho, a suprema verdade é Cristo que é encontrado justamente no interior das pessoas. Além disso, não se coloca no texto a questão do arbítrio.
b) Incorreta. As coisas que ainda não conhecemos só podem ser percebidas pelos sentidos do corpo e podem ser comunicadas facilmente por intermédio das palavras.
O texto não demarca essa posição, pois a verdade se encontra no íntimo, não naquilo que é externo e que pode ser percebido pelos sentidos do corpo. Por seu caráter transcendente, não pode ser totalmente conhecido e nem resumido em palavras.
c) Incorreta. A verdade interior está à disposição de cada um e encontra-se armazenada na memória, de modo que o uso da memória dispensa a contemplação da luz interior.
A verdade interior não se encontra à mera disposição do indivíduo, sem a iluminação divina; o seu conteúdo não pode ser acessado pela memória sem a luz divina que ilunia interiormente.