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Questão 14782

UFU 2004
Filosofia

(UFU - 2004)

Em O ente e a essência, Tomás de Aquino argumenta sobre a existência de Deus, refutando teses de outras doutrinas da filosofia escolástica. Com este propósito ele escreveu:

“Tampouco é inevitável que, se afirmarmos que Deus é exclusivamente ser ou existência, caiamos no erro daqueles que disseram que Deus é aquele ser universal, em virtude do qual todas as coisas existem formalmente. Com efeito, este ser que é Deus é de tal condição, que nada se lhe pode adicionar. (...) Por este motivo afirma-se no comentário à nona proposição do livro Sobre as Causas, que a individuação da causa primeira, a qual é puro ser, ocorre por causa da sua bondade. Assim como o ser comum em seu intelecto não inclui nenhuma adição, da mesma forma não inclui no seu intelecto qualquer precisão de adição, pois, se isto acontecesse, nada poderia ser compreendido como ser, se nele algo pudesse ser acrescentado.”

AQUINO, Tomás. O ente e a essência. Trad. de Luiz João Baraúna. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 15. Coleção “Os Pensadores”.

Tomás de Aquino está seguro de que nada se pode acrescentar a Deus, porque

A

sua essência composta de essência e existência é autossuficiente para gerar indefinidamente matéria e forma, criando todas as coisas.

B

sua essência simples é gerada incessantemente, embora não seja composta de matéria e forma, multiplica-se em si mesmo na pluralidade dos seres.

C
é essência divina, absolutamente simples e idêntica a si mesma, constituindo-se, necessariamente, uma essência única.
D

é ser contingente, no qual essência e existência não dependem do tempo, por isso, gera a si mesmo eternamente, dando existência às criaturas.

Gabarito: é essência divina, absolutamente simples e idêntica a si mesma, constituindo-se, necessariamente, uma essência única.

Resolução:

c) Correta. é essência divina, absolutamente simples e idêntica a si mesma, constituindo-se, necessariamente, uma essência única.
A questão considera alguns aspectos da filosofia tomista em diálogo com a filosofia aristotélica, no que tange à metafísica deste último. Segundo Aristóteles, existe a categoria da substância (ousia), que Tomás toma como essência, isto é, aquilo que o ser é em si mesmo, sem adição, um conhecimento apriorístico, como, por exemplo, o triângulo é uma forma geométrica com três lados; e existe a categoria do acidente, ou concomitante, isto é, aquilo que ocorre por adição à essência, um conhecimento a posteriori, por exemplo, o triângulo é azul, algo que só pode ser observado no particular, pois a categoria da qualidade (a cor) está por adição ao objeto. Tomás de Aquino está se utilizando dessas noções para explicar o problema do ser e da existência de Deus. Além disso, deve-se entender o problema do universal, se Deus é um gênero universal para explicar as coisas criadas, ou um particular. Apenas coisas criadas podem ter acidentes, pois isso supõe uma certa mudança e imperfeição no ser, o que não pode haver em Deus, concebido como ser perfeito, de modo que a essência das coisas criadas é diferente de sua existência, com os acréscimos de seus acidentes. Logo, Deus é puro ser e essência, isto é, não há acidente nele, de modo que a sua existência é totalmente igual a sua essência. Ele é um ser universal, porém único e individual, cuja essência é igual a sua existência.

 

a) Incorreta. sua essência composta de essência e existência é autossuficiente para gerar indefinidamente matéria e forma, criando todas as coisas.
A essência divina não é composta de essência e existência, como coisas não semelhantes; a essência de Deus é sua existência.

b) Incorreta. sua essência simples é gerada incessantemente, embora não seja composta de matéria e forma, multiplica-se em si mesmo na pluralidade dos seres.
Essa concepção se assemelha à teoria da emanação, visão a qual Tomás busca combater, ao conceber que que a pluralidade dos seres são criados pela vontade livre de Deus, não por uma emanação necessária de si mesmo, e nem que as criaturas sejam uma emação da essência de Deus.

d) Incorreta. é ser contingente, no qual essência e existência não dependem do tempo, por isso, gera a si mesmo eternamente, dando existência às criaturas.
Deus não pode ser contingente, casual, mas necessário, e, embora a sua essência e existência não dependam do tempo, a existência das criaturas não é causada por uma geração interna dentro de Deus.

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