(UFU - 2004)
Segundo Hegel, “Na história universal só se pode falar dos povos que formam um Estado. É preciso saber que tal Estado é a realização da liberdade, isto é, da finalidade absoluta, que ele existe por si mesmo: além disso, deve-se saber que todo valor que o homem possui, toda realidade espiritual, ele só o tem mediante o Estado”.
HEGEL. Filosofia da História. 2.ed. Brasília: Editora da UnB. 1998. p. 39-40.
A interpretação do trecho citado permite afirmar que
o Estado é realidade espiritual, que ao mesmo tempo é a garantia dos valores humanos, sendo a liberdade a realização suprema da existência humana, pois ela é a síntese da vontade universal e da vontade subjetiva.
o Estado resulta da ação abstrata produzida por uma força divina absoluta e superior às vontades humanas que a ela se submetem.
o Estado é a limitação da liberdade, que é cerceada para que o Estado se coloque acima e à frente dos cidadãos no curso da história.
o Estado é a recondução do indivíduo e da espécie às condições naturais de existência, únicas capazes de garantir a liberdade como valor absoluto.
Gabarito:
o Estado é realidade espiritual, que ao mesmo tempo é a garantia dos valores humanos, sendo a liberdade a realização suprema da existência humana, pois ela é a síntese da vontade universal e da vontade subjetiva.
a) Correta. o Estado é realidade espiritual, que ao mesmo tempo é a garantia dos valores humanos, sendo a liberdade a realização suprema da existência humana, pois ela é a síntese da vontade universal e da vontade subjetiva.
Hegel busca relacionar a liberdade em seus dois planos distintos, isto é, a dimensão autorreferencial ou subjetivo, representada pelos interesses e desejos particulares dos indivíduos nas suas relações privadas, com a dimensão objetiva ou institucional, na figura do Estado e das instituições. Hegel acredita que, para o indivíduo, o resultado de tudo é a consciência de si. No entanto, a verdade efetiva reside apenas no todo: as partes se tornam racionais à medida que conscientemente formam o todo, uma vez que a consciência individual só existe em função do todo. O Estado tem esse papel de um todo ético e organizado, do qual não há nada acima, apenas outros Estados semelhantes que se reconhecem como iguais. Esse Estado é, para Hegel, aquilo que é em si e para si, ou seja, que tem a efetividade de sua universalidade ou totalidade plena. Os cidadãos fazem um acordo com o Estado porque este vai buscar, acima dos indivíduos e suas situações, a ética e a liberdade. Para Hegel, essa é a faceta principal do Estado moderno, culminando após a revolução francesa, que trouxe a preocupação com essas questões.
A finalidade do espírito universal converge, então, para o Estado, que é o resultado da racionalização das partes da sociedade ao longo da história. Se funda no uso da razão para buscar a liberdade e a ética, preservando os direitos civis naturais dos indivíduos. Após a Revolução Francesa, o Estado moderno passou a se voltar essencialmente para essas questões.
b) Incorreta. o Estado resulta da ação abstrata produzida por uma força divina absoluta e superior às vontades humanas que a ela se submetem.
O resultado não resulta dessa ação abstrata produzida por uma força divina absoluta, pois o próprio conjunto das vontades humanas, na medida que se tornam mais conscientes do Espírito, efetivam o Estado.
c) Incorreta. o Estado é a limitação da liberdade, que é cerceada para que o Estado se coloque acima e à frente dos cidadãos no curso da história.
Em Hegel, a liberdade se efetiva no Estado no curso da história.
d) Incorreta. o Estado é a recondução do indivíduo e da espécie às condições naturais de existência, únicas capazes de garantir a liberdade como valor absoluto.
O Estado não é a recondução do indivíduo e da espécie às condições naturais de existência, mas a uma liberdade que resulta do processo do desenvolvimento do Espírito.