(Ufu 2012) Dentre as várias interpretações sobre a brasilidade, destaca-se aquela que atribui a nós, brasileiros, os recursos do jeitinho, da cordialidade e da malandragem.
De acordo com as leituras weberianas aplicadas à realidade brasileira (por autores tais como: Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre, Roberto Damatta), a malandragem significaria
a manifestação prática do processo de miscigenação que combinou elementos genéticos pouco inclinados ao trabalho.
a consagração do fracasso nacional representado pela incapacidade de desenvolver formas capitalistas de relações sociais.
a inovação de um estilo especial de se resolver os próprios problemas, que tem sua origem nas tradições ibéricas.
a materialização da oposição popular ao trabalho e ao imperialismo europeu, como característica de resistência de classe.
Gabarito:
a inovação de um estilo especial de se resolver os próprios problemas, que tem sua origem nas tradições ibéricas.
A questão fala sobre as diferentes interpretações sobre a brasilidade desenvolvidas no estudo da sociedade brasileira.
A alternativa que caracteriza corretamente o jeitinho brasileiro, a malandragem e a cordialidade, ideias desenvolvidas por sociólogos brasileiros, é a letra C. Ela aponta para o espírito de "esperteza" que o brasileiro tem, uma capacidade "especial" de resolver os próprios problemas: é o "dar um jeito", fazer uma "gambiarra" para consertar algo, desde um objeto quebrado à uma situação desconfortável, que afete os interesses próprios do brasileiro que age. Essa característica advém dos portugueses, que sempre agiram em favor próprio e nem sempre pelos meios mais "corretos", e sim pelos que levariam à solução mais rapidamente. É uma marca individualista, mesquinha, autocentrada, muitas vezes desonesta.
A: A miscigenação, trabalhada por Gilberto Freyre, espelhou a combinação de diferentes genes que refletiram no comportamento do brasileiro e na formação da sociedade. No entanto, o "jeitinho brasileiro" não adveio dos índios, mas do caráter duvidoso dos portugueses.
B: O Brasil desenvolveu, sim, formas capitalistas de relações sociais. Essa alternativa não se relaciona ao que foi pedido pelo enunciado.
D: O Brasil não é marcado por resistência de classe nem oposição intensa ao trabalho ou ao imperialismo. Esta alternativa tampouco se relaciona ao que foi pedido.