(UFU - 2017 - 1ª FASE)
FLORES DO MAIS
devagar escreva
uma primeira letra
escrava
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais
CESAR, Ana Cristina. Flores do mais. In: Destino: poesia. Organização de Italo Moriconi. Rio de Janeiro: JoséOlympio, 2016. p.41.
Expoente da poesia marginal da década de 1970, Ana C. escreve poesia que reflete experiências do cotidiano. Em Flores do mais, com o auxílio da gradação dos fenômenos da natureza (furacões, vendavais, marés), a autora metaforiza
o esfacelamento do sujeito poético e os problemas existenciais.
o desejo de travar relacionamento bucólico com outros interlocutores.
a angústia proveniente do fazer poético comparado ao prazer de viver.
o trabalhoso processo de escrita e a inscrição da palavra no papel.
Gabarito:
o trabalhoso processo de escrita e a inscrição da palavra no papel.
a) Alternativa incorreta. Não há um retrato do esfacelamento sujeito poético, mas sim elementos que demonstram o processo de escrita.
b) Alternativa incorreta. A metáfora não diz respeito a algo bucólico.
c) Alternativa incorreta. Há a angústia do processo de escrita, mas as metáforas contradizem o fato de que há um prazer em viver.
d) Alternativa correta. Isso pode ser percebido logo nos primeiros versos, "devagar escreva/uma primeira letra/escrava/nas imediações construídas/pelos furacões", em que há uma ideia de sofrimento, de dificuldade para escrever a partir dos tormentos da vida. Pode-se observar essa dificuldade também em "devagar/peça mais/e mais e/mais", em que fica claro o sentimento de insatisfação constante com aquilo que está sendo escrito.