(Unisinos 2016)
Armas demais
A disparada da taxa de homicídios em Porto Alegre não deixa dúvida de que o descontrole da posse e do porte de armas é um dos fatores preponderantes nas tragédias urbanas. Repete-se sempre em momentos como este o argumento de que não são as armas que matam, mas as pessoas que as manipulam 1− essas pessoas, 2porém, têm suas ações facilitadas pelo porte legal ou ilegal desses equipamentos. É 3evidente que o setor de segurança tem falhado, em todo o Brasil, em relação ao cumprimento das restrições para que alguém seja proprietário de uma arma de fogo e, mais ainda, que possa portá-la sem constrangimentos.
Falham também as leis e a Justiça, quando pessoas armadas, flagradas nas ruas, não se submetem a punições mais drásticas e voltam a desafiar as autoridades e a atormentar as comunidades. Constata-se que essa é uma realidade nacional, a partir das estatísticas da violência. 4É assustador que, a cada meia hora, uma pessoa seja assassinada 5nas capitais brasileiras, 6que concentram os piores índices de criminalidade. E não há mais dúvida de que as vítimas não são apenas delinquentes eliminados por outros marginais, o que já seria uma barbárie, mas também pessoas comuns, muitas das quais atingidas por balas perdidas.
O debate sobre a desproteção da sociedade faz com que ressurja a hipótese de assegurar o amplo direito de defesa de todos pelo acesso a armamentos. A solução, no entanto, 7certamente está muito mais em aprimorar as políticas e as ações de segurança e exercer controle rigoroso sobre o uso ilegal e banalizado de armas, com repressão e punição, do que em transmitir ao cidadão a sensação controversa de que sua defesa depende do arsenal particular que tiver em casa.
Texto publicado no jornal Zero Hora, em 01 out. 2015. Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/ noticias/opiniao/noticia/2015/10/armas-demais-4859707.html. Acesso em 01 out. 2015. Adaptação.
Em relação ao conteúdo do texto, assinale a única alternativa correta.
Segundo o editorial, as tragédias urbanas devem-se, exclusivamente, ao uso descontrolado de armas de fogo.
A ausência de fiscalização quanto ao cumprimento das restrições ao porte e ao uso de armas é, conforme o texto, a única causa da alta taxa de homicídios nas capitais brasileiras.
No editorial, fica subentendida a ideia de que o armamento da população refrearia a violência, pois não são as armas que matam, mas os criminosos que as portam ilegalmente.
O editorialista concorda que a desproteção da sociedade diante da onda de criminalidade que assola as grandes cidades brasileiras é um argumento plausível em favor do armamento da população.
De acordo com o texto, é preciso não só aperfeiçoar as políticas e as ações de segurança como também fiscalizar, de forma rígida, sobre o uso ilegal de armas, com coibição e punição.
Gabarito:
De acordo com o texto, é preciso não só aperfeiçoar as políticas e as ações de segurança como também fiscalizar, de forma rígida, sobre o uso ilegal de armas, com coibição e punição.
[E]
A) Incorreta. O texto não aponta que as tragédias urbanas são, unicamente, resultado do uso descontrolado de armas de fogo. O texto evidencia, por exemplo, a problemática do setor de segunça.
B) Incorreta. O texto trata de vários expoentes que geram o cenário da problemática.
C) Incorreta. O último parágrafo contraria essa alternativa.
D) Incorreta. Novamente, o último parágrafo e a argumentação do texto nega a alternativa.
E) Correta.