Publicidade
Publicidade

Questão 40372

UNB 2006
Filosofia

(CESPE/UNB – 2006)

“Nossa discussão será adequada se tiver tanta clareza quanto comporta o assunto, pois não se deve exigir a precisão em todos os raciocínios por igual, assim como não se deve buscá-la nos produtos de todas as artes mecânicas. Ora, as ações belas e justas, que a ciência política investiga, admitem grande variedade e flutuações de opinião, de forma que se pode considerá-las como existindo por convenção apenas, e não por natureza. E em torno dos bens há uma flutuação semelhante, pelo fato de serem prejudiciais a muitos: houve, por exemplo, quem perecesse devido à sua riqueza, e outros por causa da sua coragem. Ao tratar, pois, de tais assuntos, e partindo de tais premissas, devemos contentar-nos em indicar a verdade aproximadamente e em linhas gerais; e ao falar de coisas que são verdadeiras apenas em sua maior parte e com base em premissas da mesma espécie, só poderemos tirar conclusões da mesma natureza. E é dentro do mesmo espírito que cada proposição deverá ser recebida, pois é próprio do homem culto buscar a precisão, em cada gênero de coisas, apenas na medida em que o admita a natureza do assunto.”

(Aristóteles. Ética a Nicômaco)

No texto acima, o filósofo Aristóteles explica que

A

o método da ciência política é dialético, isto é, parte de opiniões comuns aceitas pela maioria ou pelos sábios.

B

não há resposta objetiva em questões morais.

C

a finalidade da ética e da ciência política é a ação, não a verdade.

D

é necessário buscar a verdade absoluta ao resolver problemas morais.

E

a teoria política possui um método tão exato quanto o da matemática.

Gabarito:

não há resposta objetiva em questões morais.



Resolução:

b) Correta. não há resposta objetiva em questões morais.
Ao longo de todo o texto, Aristóteles procura explicar o porquê de não haver resposta objetiva para questões morais. "[...] não se deve exigir a precisão em todos os raciocínios por igual [...]. As ações belas e justas, que a ciência política investiga, admitem grande variedade e flutuações de opinião [...]. E em torno dos bens há uma flutuação semelhante [...]."
Por se tratar de eventos abstratos, relativizados, que são observados a partir da visão particular do sujeito, os problemas morais não admitem respostas absolutas. Deve-se considerar que cada indivíduo tem uma particular visão de mundo e percepção sobre a realidade, especialmente em questões morais, éticas e sociais.
"Ao tratar [...] de tais assuntos, e partindo de tais premissas, devemos contentar-nos em indicar a verdade aproximadamente e em linhas gerais; e ao falar de coisas que são verdadeiras apenas em sua maior parte e com base em premissas da mesma espécie, só poderemos tirar conclusões da mesma natureza."

 

a) Incorreta. o método da ciência política é dialético, isto é, parte de opiniões comuns aceitas pela maioria ou pelos sábios.
Na ciência política, a investigação não se pauta em "opiniões comuns aceitas"; as opiniões não são simplesmente aceitas, mas sim discutidas. O método dialético se fundamenta na discussão de diferentes teses, não convergindo diretamente para uma única e verdadeira resposta.

c) Incorreta. a finalidade da ética e da ciência política é a ação, não a verdade.
A ética e ciência política buscam a verdade e não a ação.

d) Incorreta. é necessário buscar a verdade absoluta ao resolver problemas morais.
Não existe uma verdade absoluta quando se trata de problemas morais. Eles são solucionados por meio da ponderação e do debate.

e) Incorreta. a teoria política possui um método tão exato quanto o da matemática.
O método da teoria política, a dialética, não é exato como o da matemática. Como o próprio texto diz, os eventos que "a ciência política investiga, admitem grande variedade e flutuações de opinião [...]".

Publicidade