(Unesp 2007) E, não havendo nas minas outra moeda mais que ouro em pó, o menos que se pedia e dava por qualquer coisa eram oitavas [cerca de 3 gramas e meia]. [Porei] aqui um rol [...] dos preços das coisas que [...] lá se vendiam no ano 1703 [...] Por um boi, cem oitavas. Por uma mão de sessenta espigas de milho, trinta oitavas. Por um alqueire de farinha de mandioca, quarenta oitavas. Por um queijo do Alentejo, três a quatro oitavas. Por uma cara de açúcar [açúcar em forma de disco] de uma arroba, 32 oitavas. Por um barrilote de vinho, carga de um escravo, cem oitavas...
(André João Antonil. "Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas", 1711.)
As informações apresentadas pelo cronista do século XVIII demonstram que o regime alimentar da população da região das Minas Gerais era
controlado pela legislação da Metrópole, que reservava o mercado consumidor das minas para as mercadorias europeias.
submetido a uma situação de carestia dos gêneros alimentícios, fato que inviabilizou a continuidade da exploração aurífera na região.
composto por gêneros nativos da América, produtos transplantados pelos colonizadores para o solo americano e mercadorias importadas.
precário e insuficiente para o conjunto da população, formada por funcionários lusitanos, garimpeiros e escravos.
dependente de gêneros extraídos da natureza local, aplicando-se para isso conhecimentos adquiridos com os índios.
Gabarito:
composto por gêneros nativos da América, produtos transplantados pelos colonizadores para o solo americano e mercadorias importadas.
A questão pergunta qual era "o regime alimentar da população da região das Minas Gerais", na época em que o texto foi escrito (séc XVIII), a que se responde corretamente que era "composto por gêneros nativos da América, produtos transplantados pelos colonizadores para o solo americano e mercadorias importadas."
Pode-se identificar os três elementos no texto, quando o autor apresenta "preços das coisas que lá se vendiam no ano de 1703": um boi, uma mão de sessenta espigas de milho, um alqueire de farinha de mandioca, um queijo do Alentejo, uma cara de açúcar, um barrilote de vinho.
As mercadorias importadas seriam o queijo alentejano e o vinho (ambos portugueses). Produtos transplantados seriam o açúcar (proveniente dos trópicos do Sul e Sudeste da Ásia, com a primeira muda trazida ao Brasil por Martim Affonso de Souza em 1532) e o milho (proveniente da América espanhola). Gêneros nativos seriam o boi e a mandioca.
A: A legislação metropolitana se preocupava em prosseguir com a extração e a geração de lucros, portanto, preocupava-se em alimentar os garimpeiros e escravos, e não restringia esse mercado para os produtos europeus importados principalmente porque estes eram muito caros para o custo de vida dos trabalhadores das minas.
B: A exploração aurífera não foi descontinuada na região, o que invalida a alternativa.
D: A região foi uma das que mais se desenvolveu, na época, devido à atividade mineradora; assim, infere-se que o regime alimentar não era precário e insuficiente para o conjunto da população.
E: Dependia, em partes, de gêneros extraídos da natureza local, mas a presença da metrópole permitia a circulação de outros produtos, tanto importados quanto trazidos de outras regiões para o cultivo local.