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Questão 11

UNESP 2014
Sociologia

(UNESP - 2014 - 2 FASE) Texto 1

O problema do pensamento politicamente correto é que ele nada tem de correto. Pior: na ânsia de impedir qualquer ofensa a grupos ou minorias, ele converte-se na mais grotesca ofensa que existe para esses grupos ou minorias. A revista alemã “Der Spiegel” relata um caso que merece partilha: a Universidade Livre de Berlim decidiu publicar um guia interno para que os alunos de famílias proletárias possam ser mais facilmente integrados na vida acadêmica. Para os autores do guia, os alunos proletários são como certas espécies zoológicas que é necessário proteger em “hábitat” adequado. E isso implica não os assustar e, logicamente, não os alimentar com doses arcaicas de conhecimento “burguês” e “reacionário”. A universidade não é uma universidade, com a missão de corrigir erros e procurar algum conhecimento válido para todos. A universidade é uma grande encenação – ou, melhor ainda, uma sessão coletiva de terapia onde ninguém está certo (ou errado) porque todos estão certos (ou errados). O que o pensamento politicamente correto produz não é difícil de imaginar: a perpetuação do estigma de alunos proletários e a impossibilidade de eles aprenderem alguma coisa (na universidade) para ascenderem social e economicamente (na vida profissional).

(João Pereira Coutinho. Amestrando proletários. Folha de S.Paulo, 02.07.2013. Adaptado.)

 

Texto 2

Não existe razão para que tenhamos preconceito com relação a qualquer variedade linguística diferente da nossa. Preconceito linguístico é o julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro ou da própria fala. O problema maior é que as variedades mais sujeitas a esse tipo de preconceito são, normalmente, as com características associadas a grupos de menos prestígio na escala social ou a comunidades da área rural ou do interior. Historicamente, isso ocorre pelo sentimento e pelo comportamento de superioridade dos grupos vistos como mais privilegiados, econômica e socialmente.

(Marta Scherre. O preconceito linguístico deveria ser crime. http://revistagalileu.globo.com)
 

Comente as diferenças entre os dois textos no que se refere ao pensamento politicamente correto.

Gabarito:

Resolução:

Para o Texto 1, o pensamento politicamente correto tem um problema original: ele não tem nada de “correto”, uma vez que, na tentativa de impedir ofensas a grupos de minorias, acaba por ofender esses grupos e minorias, perpetuando o estigma do preconceito que deveria ser dissolvido pelas ações politicamente corretas. Utiliza como exemplo o caso da Universidade Livre de Berlim, cuja publicação de um guia interno para que alunos de famílias proletárias pudessem ser mais facilmente integrados na vida acadêmica acabou por perpetuar a estigmatização dos alunos proletários, impossibilitando-lhes de aprenderem algo na universidade para ascenderem social e economicamente na vida profissional. O Texto 2, ao contrário, trata explicitamente da questão do preconceito lingüístico, que é a estigmatização de variantes linguísticas diferentes daquelas prestigiadas, ligadas a grupos vistos como mais privilegiados econômica e socialmente. As variantes que sofrem preconceito (e, por extensão, os falantes dessas variantes) normalmente estão ligadas a
grupos de menor prestígio na escala social ou a comunidades de áreas rurais ou do interior. Depreende-se do texto, portanto, um discurso politicamente correto necessário para evitar o julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e humilhante da fala e dos grupos
de minorias linguísticas.

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