(UNESP - 2015/2 - 1ª FASE)
Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos. Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo. Novo porque surge como uma etnia nacional, que se vê a si mesma e é vista como uma gente nova, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras. Velho, porém, porque se viabiliza como um proletariado externo, como um implante ultramarino da expansão europeia que não existe para si mesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício da função de provedor colonial de bens para o mercado mundial, através do desgaste da população. Sua unidade étnica básica não significa, porém, nenhuma uniformidade, mesmo porque atuaram sobre ela forças diversificadoras: a ecológica, a econômica e a migração. Por essas vias se plasmaram historicamente diversos modos rústicos de ser dos brasileiros: os sertanejos, os caboclos, os crioulos, os caipiras e os gaúchos. Todos eles muito mais marcados pelo que têm de comum como brasileiros, do que pelas diferenças devidas a adaptações regionais ou funcionais, ou de miscigenação e aculturação que emprestam fisionomia própria a uma ou outra parcela da população.
(Darcy Ribeiro. O povo brasileiro, 1995. Adaptado.)
De acordo com Darcy Ribeiro, dois movimentos caminharam concomitantemente ao longo do processo de formação do povo brasileiro:
a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de uma cultura nacional homogênea.
a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a coexistência de culturas regionais em extinção.
a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a conformação de culturas regionais transplantadas de outros países.
a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de diversidades socioculturais regionais.
a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a coexistência de culturas regionais fragmentadas.
Gabarito:
a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de diversidades socioculturais regionais.
d) Correta. a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de diversidades socioculturais regionais.
Darcy compreende a formação de uma etnia brasileira formado por três povos geradores, do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos. Além disso, é nos níveis regionais que se vêem as diferenças socioculturais.
a) Incorreta. a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de uma cultura nacional homogênea.
Não, pois ele pontua que, no âmbito nacional, há uma matriz formada por três povos, a partir da qual o povo brasileiro tornou-se algo diferente dos mesmos, porém há diferenciações, seja pela questão econômica, do ambiente ecológico e da imigração de cada lugar. Por isso, não é uma cultura nacional homogênea.
b) Incorreta. a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a coexistência de culturas regionais em extinção.
Darcy não fala em extinção, pois viu-se a formação de uma etnia brasileira, com uma base comum, porém com diferenciações.
c) Incorreta. a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a conformação de culturas regionais transplantadas de outros países.
Darcy não defende a noção de uma sociedade nacional multiétnica, mas a formação de uma etnia brasileira, tampouco compreende a conformação de culturas regionais transplantadas de outros países, porém a interferência de outras culturas.
e) Incorreta. a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a coexistência de culturas regionais fragmentadas.
Darcy não defende a noção de uma sociedade nacional multiétnica, mas a formação de uma etnia brasileira, tampouco a fragmentação de culturas regionais, mas uma conformação dessa diversidade.