(UNESP - 2015 - 1 FASE)
Escrever mal é difícil, declarou um dos maiores escritores contemporâneos. Durante debate para divulgar seu romance O homem que amava os cachorros, o cubano Leonardo Padura caçoou de autores de best-sellers. “Escrever livros como os de Paulo Coelho e Dan Brown não é fácil, não há muitos Dan Browns que possam escrever um romance tão horrível como O Código Da Vinci, que venda milhões de exemplares. Há que se saber fazer má literatura para poder escrever um livro desses”.
(Fábio Victor. “Fazer má literatura é difícil, diz escritor Leonardo Padura”. Folha de S.Paulo, 17.04.2014. Adaptado.)
O comentário irônico do escritor acerca da qualidade literária justifica-se pela
condição de autonomia estética atribuída aos escritores citados na relação com o mercado literário.
meticulosidade técnica necessária para escrever livros prioritariamente condicionados pelo mercado.
inexistência de critérios objetivos que permitam diferenciar qualitativamente as obras literárias.
primazia da autonomia estética sobre o caráter de mercadoria intrínseco à indústria cultural.
qualidade culturalmente elitista atribuída aos escritores de livros considerados best-sellers.
Gabarito:
meticulosidade técnica necessária para escrever livros prioritariamente condicionados pelo mercado.
[B]
Configura uma ironia a afirmação de que "maus escritores" (como P. Coelho e Dan Brown, na opinião do escritor) precisem de ser excepcionais, e de que seu trabalho em fazer maus livros seja algo difícil e trabalhoso. Nesse sentido, inverte-se a ideia de que é necessário ter talento e ser "especial" apenas para produzir boa literatura — a má literatura também exige esses talentos e esforços (a "meticulosidade" referida na letra B).
Sobre as demais afirmativas:
a) Dan Brown e Paulo Coelho não revelam autonomia estética em suas obras, e sim um talento que os conduz à escrita de um determinado tipo de romance, para determinado fim — na opinião do escritor, o mercado de best-sellers.
c) o comentário do escritor pressupõe a existência de determinados critérios que permitam, objetivamente, qualificar uma obra como boa ou má literatura. Isso fica evidente na afirmação de que existem habilidades intrínsecas aos autores que produzem esse segundo tipo;
d) o escritor mostra, justamente, que, em alguns casos, a pressão do mercado editorial e da indústria de livros (que motiva a escrita de best-sellers) supera uma possível autonomia estética da obra — algo que os romances de Coelho e Brown não possuem;
e) o escritor não faz uma associação entre o status socioeconômico dos autores e o tipo de livro que produzem. Brown e Coelho não são apontados como membros da elite, e sim como autores habilidosos por escreverem romances tão ruins.