(UNESP - 2016/2 - 1a fase)
A utilização de fantasia pelo sistema de crença que reafirma o capitalismo ocorre a partir do consenso popular que é realizado por meio da conquista, pelos assalariados, de bens simbólicos, de expectativas e de interesses. Assim sendo, o sistema de crença no consumo não opera sobre programas concretos e imediatos, mas sim a partir de imagens criadas pela publicidade e pela propaganda, que são fomentadas exclusivamente pela base econômica da sociedade; daí a permanente busca de realização econômica como sinônimo de todas as outras realizações ou satisfações. Por isso é que nos roteiros de cenas a comunicação sempre espelha a positividade. Não há dor, nem crueldade, nem conflito, nem injustiça, nem infelicidade, nem miséria. A seleção e associação de signos são trabalhadas para nem de longe sugerir dúvidas no sistema de crença no consumo. O jovem rebelde é bonito, forte, penteado e vestido com grife divulgada; o belo casal transpira boas expectativas de vida no calor do forno de micro-ondas ou na certeza de um seguro de vida ou mediante uma assistência médica eficiente; uma supercriança lambe nos superdedos a margarina de uma família feliz.
(Solange Bigal. O que é criação publicitária ou (O estético na publicidade), 1999. Adaptado.)
De acordo com o texto, no universo publicitário, a estética exerce sobretudo o papel de
denunciar as condições opressivas de vida existentes no capitalismo.
criticar os mecanismos de sedução exercidos pela indústria cultural.
veicular imagens de caráter ideológico manipuladoras do desejo
efetivar processos formadores do senso crítico sobre a realidade.
questionar os estereótipos hegemônicos na sociedade de classes.
Gabarito:
veicular imagens de caráter ideológico manipuladoras do desejo
c) Correta. veicular imagens de caráter ideológico manipuladoras do desejo.
O trecho em questão busca explorar o uso da propaganda para confirmar as crenças quanto ao capitalismo e o seu sistema de consumo como capaz de prover felicidade, satisfação e sucesso, para conformar os desejos do consumidor aos interesses econômicos.
a) Incorreta. denunciar as condições opressivas de vida existentes no capitalismo.
O trecho não explora essas condições, pois foca na propaganda do capitalismo; não se vê relatos de opressão — pobreza, desigualdade, etc. — no texto. Além disso, não é função da estética explorar isso.
b) Incorreta. criticar os mecanismos de sedução exercidos pela indústria cultural.
Pode-se perceber um tom crítico no texto a esses mecanismos de sedução, mas não é função da estética realizar tal crítica, como se pegunta no enunciado da questão. A função da estética é empreender esses mecanismos de sedução.
d) Incorreta. efetivar processos formadores do senso crítico sobre a realidade.
Não é função da estética efetivar tais processos, antes uma reafirmação do capitalismo para manipular os desejos do consumidor.
e) Incorreta. questionar os estereótipos hegemônicos na sociedade de classes.
Não há qualquer aspecto crítico na estética, apenas uma busca pelo controle dos desejos do consumidor em direção a esses estereótipos de riqueza, sucesso e satisfação.