(UNESP - 2017/2 - 2 fase - Questão 12)
É esse o sentido da famosa formulação do filósofo Kant sobre o imperativo categórico: “Aja unicamente de acordo com uma máxima tal que você possa querer que ela se torne uma lei universal”. Isso é agir de acordo com a humanidade, em vez de agir conforme o seu “euzinho querido”, e obedecer à razão em vez de obedecer às suas tendências ou aos seus interesses. Uma ação só é boa se o princípio a que se submete (sua “máxima”) puder valer, de direito, para todos: agir moralmente é agir de tal modo que você possa desejar, sem contradição, que todo indivíduo se submeta aos mesmos princípios que você. Não é porque Deus existe que devo agir bem; é porque devo agir bem que posso necessitar – não para ser virtuoso, mas para escapar do desespero – de crer em Deus. Mesmo se Deus não existir, mesmo se não houver nada depois da morte, isso não dispensará você de cumprir com o seu dever, em outras palavras, de agir humanamente.
André Comte-Sponville. Apresentação da filosofia, 2002. Adaptado.
O conceito filosófico de imperativo categórico é baseado no relativismo ou na universalidade moral? Justifique sua resposta. Explique o motivo pelo qual a ética kantiana dispensa justificativas de caráter religioso.
Gabarito:
Resolução:
O imperativo categórico kantiano se baseia na universalidade moral, haja vista que concebe como ação moral aquela que pode valer como lei universal, constituindo um dever que seria fundamentado em uma razão também universal. A ética kantiana dispensa justificativas de caráter religioso pois, para Kant, a moral possui fim em si mesma, ou seja, a ação moral justifica a si mesma pelo fato de ser moral, não necessitando de nenhuma outra justificativa e sendo uma ação por dever.