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Questão 10

UNESP 2017
Português

(UNESP - 2017/2 - 1ª FASE)

Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”, do poeta português Luís de Camões (1525?-1580)

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
alguma coisa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.

(Sonetos, 2001.)

De modo indireto, o soneto camoniano acaba também por explorar o tema da

A

falsidade humana.

B

indiferença divina.

C

desumanidade do mundo.

D

efemeridade da vida.

E

falibilidade da memória.

Gabarito:

efemeridade da vida.



Resolução:

[D]

O episódio da morte da mulher amada é retratado a partir da perspectiva da brevidade de sua vida, como mostram os versos: "Alma minha gentil, que te partiste/ tão cedo desta vida descontente"; "roga a Deus, que teus anos encurtou,"; "quão cedo de meus olhos te levou.". 

Essa ênfase no caráter prematuro da morte acaba por evocar uma reflexão cara aos poetas renascentistas: a duração do corpo e a efemeridade da vida. 

Sobre as demais alternativas: 

a) não há elementos suficientes para identificar uma crítica ou reflexão sobre a falsidade das relações humanas. Pelo contrário, a amada é associada a ideais de pureza, bem como o amor recebe atributos por sua eternidade e verdade; 

b) Deus não é colocado como indiferente no poema, visto que o eu lírico assume certa proximidade da amada morta com Ele: "no assento etéreo, onde subiste," (o Reino de Deus, o paraíso); "roga a Deus, que teus anos encurtou,/ que tão cedo de cá me leve a ver-te,". Deus é visto como onipotente e responsável pela vida, e não como uma entidade omissa e distante; 

c) o mundo não é colocado como lugar desumano, e sim "triste", jusrtamente por conter a instabilidade da vida e os consequentes descontentamentos, oriundos do amor seguido de morte. Há uma perspectiva mais humanista, e não que aponta para a desumanização; 

e) a memória não é vista como algo falível e fraco, e sim como possibilidade de recordação eterna ("e viva eu cá na terra sempre triste"; "não te esqueças daquele amor ardente"). 

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