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Questão 59

UNESP 2018
Filosofia

(UNESP - 2018 - 1 FASE) Os homens, diz antigo ditado grego, atormentam-se com a ideia que têm das coisas e não com as coisas em si. Seria grande passo, em alívio da nossa miserável condição, se se provasse que isso é uma verdade absoluta. Pois se o mal só tem acesso em nós porque julgamos que o seja, parece que estaria em nosso poder não o levarmos a sério ou o colocarmos a nosso serviço. Por que atribuir à doença, à indigência, ao desprezo um gosto ácido e mau se o podemos modificar? Pois o destino apenas suscita o incidente; a nós é que cabe determinar a qualidade de seus efeitos.

(Michel de Montaigne. Ensaios, 2000. Adaptado.)

De acordo com o filósofo, a diferença entre o bem e o mal

A

representa uma oposição de natureza metafísica, que não está sujeita a relativismos existenciais.

B

relaciona-se com uma esfera sagrada cujo conhecimento é autorizado somente a sacerdotes religiosos.

C

resulta da queda humana de um estado original de bem-aventurança e harmonia geral do Universo.

D

depende do conhecimento do mundo como realidade em si mesma, independente dos julgamentos humanos.

E

depende sobretudo da qualidade valorativa estabelecida por cada indivíduo diante de sua vida.

Gabarito:

depende sobretudo da qualidade valorativa estabelecida por cada indivíduo diante de sua vida.



Resolução:

e) Correta. depende sobretudo da qualidade valorativa estabelecida por cada indivíduo diante de sua vida.
O excerto deixa claro isso em "Por que atribuir à doença, à indigência, ao desprezo um gosto ácido e mau se o podemos modificar? Pois o destino apenas suscita o incidente; a nós é que cabe determinar a qualidade de seus efeitos."

 

a) Incorreta. representa uma oposição de natureza metafísica, que não está sujeita a relativismos existenciais.
O filósofo deixa claro no seu excerto que tal oposição é colocada por nós, humanos, e não que tal oposição é de natureza metafísica. 

b) Incorreta. relaciona-se com uma esfera sagrada cujo conhecimento é autorizado somente a sacerdotes religiosos.
O autor não diz de uma autoridade religiosa que detém tal conhecimento sobre o que é bom e o que é mau. 

c) Incorreta. resulta da queda humana de um estado original de bem-aventurança e harmonia geral do Universo.
O texto não nos oferece tal resposta, pelo contrário, aponta para uma definição do ser humano a respeito do que é bom e do que é mau. 

d) Incorreta. depende do conhecimento do mundo como realidade em si mesma, independente dos julgamentos humanos.
O texto aponta para uma dependência dos julgamentos humanos para o estabelecimento do que é bom e do que é mau.

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