(UNESP - 2019 - 1 FASE)
A maior violação do dever de um ser humano consigo mesmo, considerado meramente como um ser moral (a humanidade em sua própria pessoa), é o contrário da veracidade, a mentira […]. A mentira pode ser externa […] ou, inclusive, interna. Através de uma mentira externa, um ser humano faz de si mesmo um objeto de desprezo aos olhos dos outros; através de uma mentira interna, ele realiza o que é ainda pior: torna a si mesmo desprezível aos seus próprios olhos e viola a dignidade da humanidade em sua própria pessoa […]. Pela mentira um ser humano descarta e, por assim dizer, aniquila sua dignidade como ser humano. […] É possível que [a mentira] seja praticada meramente por frivolidade ou mesmo por bondade; aquele que fala pode, até mesmo, pretender atingir um fim realmente benéfico por meio dela. Mas esta maneira de perseguir este fim é, por sua simples forma, um crime de um ser humano contra sua própria pessoa e uma indignidade que deve torná-lo desprezível aos seus próprios olhos.
(Immanuel Kant. A metafísica dos costumes, 2010.)
Em sua sentença dirigida à mentira, Kant
considera a condenação relativa e sujeita a justificativas, de acordo com o contexto.
assume que cada ser humano particular representa toda a humanidade.
apresenta um pensamento desvinculado de pretensões racionais universalistas.
demonstra um juízo condenatório, com justificação em motivações religiosas.
assume o pressuposto de que a razão sempre é governada pelas paixões.
Gabarito:
assume que cada ser humano particular representa toda a humanidade.
b) Correta. assume que cada ser humano particular representa toda a humanidade.
A ética kantiana se caracteriza como sendo deontológica, isto é, não afirma a observância da utilidade (como acontece na ética de cunho utlitarista) e tem uma preocupação universalista e necessária: toda ação moral individual deve visar a humanidade como um todo.. Ademais, é uma concepção ética onde o sujeito moral deve observar ‘o dever pelo dever’, sem espaço para inclinações sensíveis.
a) Incorreta. considera a condenação relativa e sujeita a justificativas, de acordo com o contexto.
Essa é uma noção pragmática que se funda na ideia de que os fins justificam os meios, concepção totalmente oposta a ética deontológica de Kant, baseada no dever.
c) Incorreta. apresenta um pensamento desvinculado de pretensões racionais universalistas.
Pois Kant busca justamente vincular a sua ética em uma proposta racional e universalista.
d) Incorreta. demonstra um juízo condenatório, com justificação em motivações religiosas.
A ética kantiana não quer se fundamentar em motivações religiosas, mas em bases racionais, necessárias e universais.
e) Incorreta. assume o pressuposto de que a razão sempre é governada pelas paixões.
Kant não assume tal perspectiva, muito aliada à noção de razão instrumental, como as concepções de Hobbes.