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Questão 10

UNESP 2019
História

(UNESP - 2019 - 2ª FASE)

Texto 1

O Iluminismo não é somente uso crítico da razão; é também o compromisso de utilizar a razão e os resultados que ela pode obter nos vários campos de pesquisa para melhorar a vida individual e social do homem. O compromisso de transformação, próprio do Iluminismo, leva à concepção da história como progresso, ou seja, como possibilidade de melhoria do ponto de vista do saber e dos modos de vida do homem. Por outro lado, na cultura contemporânea, a crença no progresso foi muito abalada pela experiência das duas guerras mundiais e pelas mudanças que elas produziram no campo da história.

(Nicola Abbagnano. Dicionário de filosofia, 2000. Adaptado.)

Texto 2

Há um quadro de [Paul] Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.

(Walter Benjamin. “Sobre o conceito de história”. In: Magia e técnica, arte e política, 1987.)

 

a) De acordo com o texto 1, qual é a relação entre razão e progresso? Explique o papel contraditório da ciência para a realização do progresso na história.

b) Cite as informações do texto 1 que justificam a concepção de Walter Benjamin sobre o progresso. Explique por que, segundo Benjamin, a história pode ser entendida como progresso da barbárie.

Gabarito:

Resolução:

a)  Na concepção iluminista, o uso da capacidade racional do ser humano o conduziria a uma progressão cada vez maior, ou seja, historicamente a humanidade estaria sujeita a uma ‘melhoria’ cada vez maior graças ao uso da razão em prol de seu próprio bem-estar e sua felicidade. Segundo Abbagnano, existe uma contradição nessa perspectiva a partir do momento que a ciência, produto do cultivo racional do ser humano, revelou a sua face mortífera e desumana com as duas grandes guerras. De modo que a promessa iluminista de bem-estar e felicidade encontrou uma aporia com tais acontecimentos.

a)   Para Walter Benjamin, que compartilha da perspectiva da Teoria Crítica (ou Escola de Frankfurt) as experiências totalitárias e bárbaras do século XX desvelam a realidade que a ciência se tornou aquilo que prometeu destruir: um mito. Sendo assim, as ruínas deixadas por tais acontecimentos, produtos da técnica humana, ficam como ‘cicatrizes’ nesse processo que impele o progresso sem uma revisão sobre essa outra face do potencial humano. É nesse sentido que a história pode ser entendida como progresso da barbárie, no sentido de que a partir do momento em que a barbárie não se torna aprendizado, ela fica na humanidade como uma potencialidade a ser repetida.

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