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Questão 73986

UNESP 2022
Redação

Texto 1

É melhor ser alegre que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza É preciso um bocado de tristeza Senão, não se faz um samba não.

(Vinicius de Moraes/Baden Powell. “Samba da bênção”.
In: Vinicius de Moraes. Livro de letras, 2015.)

Texto 2

Texto 3

Época: Como a felicidade se tornou uma tirania?

Pascal Bruckner: No século XVIII, felicidade já deixara de ser um direito para se tornar um dever. Mas essa inversão de valores só se consolidou no século XX, depois de 1968, quando se fez uma revolução em nome do prazer, da alegria, da voluptuosidade. A partir do momento em que o prazer se torna o principal valor de uma sociedade, quem não o atinge vira um indivíduo fora da lei.

Época: Sofrimento virou doença?

Pascal Bruckner: Sempre detestamos o sofrimento, é normal. A novidade é que agora as pessoas não têm mais o direito de sofrer. Então, sofre-se em dobro. Querer que as pessoas se calem sobre a dor física ou psicológica é apenas agravar o mal.

(Pascal Bruckner. “O mal da felicidade”. http://revistaepoca.globo.com, 16.02.2018.)

Texto 4

Naomi Osaka afirmou na capa da revista Time há alguns dias: “It’s ok to not be ok”. A tenista, que havia abandonado Roland Garros para cuidar de sua saúde mental, confirmou em um texto em primeira pessoa a pressão que sofreu nos últimos meses. Falou também da importância de trazer à tona o debate sobre a saúde mental em nosso tempo, e não só no esporte: “Espero que as pessoas entendam que está bem não estar bem, e está bem falar disso. Há pessoas que podem ajudar e, em geral, há luz no fim de qualquer túnel.”

(Noelia Ramírez. “‘Tudo bem não estar bem’, o lema da nova era que dá adeus ao pensamento positivo”. https://brasil.elpais.com, 15.07.2021. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

“Tudo bem não estar bem”?: A tristeza em tempos de felicidade compulsória

 

Gabarito:

Resolução:

Para ajudar a desenvolver a redação "Tudo bem não estar bem"?: A tristeza em tempos de felicidade compulsória, o aluno possuia 4 textos motivadores que o ajudavam na compreensão do que era pedido para ser discutido, sendo esses textos:

1. Um trecho de uma música escrita em 1967, época da Bossa Nova, por Vinícius de Moraes e Baden Powel, que exaltava a alegria como um sentimento melhor que a tristeza, pontuando, entretanto, a importância desse sentimento como parte essencial à beleza  da poesia da música.

2. A tira Ditadura da alegria, do cartunista André Dahmer, traz um diálogo entre as personagens a respeito da imposição da alegria, mesmo que obtida de maneira artificial, através de remédios que podem comprometer o discernimento das pessoas que os usam quanto à real necessidade dessas "pílulas da felicidade".

3. Apresenta um fragmento de entrevista concedida à revista Época pelo filósofo Paul Bruckner que, apesar de remeter o fenômeno da imposição da felicidade ao século XVIII, destaca que essa necessidade se intensificou no século XX, pois nele se promoveu o pensamento "em nome do prazer, da alegria, da voluptuosidade", repudiando qualquer manifestação de sofrimento.

4. Aborda uma matéria do jornal El País que reproduz a capa da revista Time, a qual estampa a tenista Naomi Osaka, que abandonou um famoso torneiro mundial para cuidar da saúde mental, afirmando que "It's ok to not be ok" ("tudo bem não estar bem"). Afirmação que gerou debates acerca da pressão por resultados.

Logo, o tema, com base no que foi dado, levava o candidato a perceber a enxurrada de estímulos que atingem a sociedade atual, forçando as pessoas a produzirem alegria e outros sentimentos vistos como "positivos". Com base nisso, o aluno poderia citar a "positividade tóxica", expressão que remete à obrigatoriedade de estar bem a todo o momento. Assim como ele poderia citar as redes sociais, como Instagram e Facebook, as quais criam um "mundo paralelo", no qual todos são feliz e perfeitos. Ademais, o candidato poderia apontar consequências nocivas dessa influência sobre o comportamento das pessoas, em especial dos jovens, que, normalmente, são mais sucetíveis ao "modelo de felicidade".

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