(UNICAMP - 2006 - 2ª FASE)
A legitimidade dos reis lusitanos se confundia com o bem comum desde o século XIV, quando vingou o princípio de que os reis não são proprietários de seus reinos, mas sim seus defensores, acrescentadores e administradores. O Novo Mundo parecia assistir à erosão do bem comum. A distância que separava a América portuguesa da sede do reino tornou a colônia um lugar de desproteção. A lonjura em relação ao “bafo do rei” facilitava a usurpação de direitos dos súditos pelas autoridades consideradas venais e despóticas.
(Adaptado de Luciano Figueiredo, “Narrativas das rebeliões: linguagem política e idéias radicais na América portuguesa moderna”. Revista USP, 57. São Paulo: USP, mar-mai, 2003, p. 10-11.)
a) Segundo o texto, que mudança se observa no século XIV com relação à legitimidade do rei lusitano? Por que essa legitimidade esteve ameaçada na América portuguesa?
b) Na América portuguesa, houve várias revoltas de colonos. Cite uma delas e o que os revoltosos defendiam?
Gabarito:
Resolução:
a) No século XIV há uma mudança na percepção do papel do Rei em relação ao seu reino: Antes, a legitimidade do Rei estava associada ao um direito divino e natural concedido a ele e seus sucessores sobre as terras. Porém, a partir do período citado, o Rei passa a ser considerado somente o defensor e administrador do reino, perdendo sua legitimidade natural. No caso da América Portuguesa, essa legitimidade também passa a ser questionada devido ao fato do Rei estar localizadao a uma distância muito grande das terras americanas, criando um contexto em que seu poder passa a ser disputado por autoridades localizada na América.
b) Diversas revoltas foram percebidas na América Portuguesa, tanto por parte da elite local, quanto dos trabalhadores livre e escravizados. Os questionamentos envolviam tanto alterações na relação econômica entre metrópole e colônia, quanto a reinvindicação de mais direitos políticos. É possível citar a Revolta dos Beckman, ligada aos comerciantes e aos grandes proprietários de terra, a Conjuração Baiana, de caráter abolicionista, A Guerra dos Mascates e a Guerra dos Emboabas.