(UNICAMP - 2007) Da Idade Média aos tempos modernos, os reis eram considerados personagens sagrados. Os reis da França e da Inglaterra “tocavam as escrófulas”, significando que eles pretendiam, somente com o contato de suas mãos, curar os doentes afetados por essa moléstia. Ora, para compreender o que foram as monarquias de outrora, não basta analisar a organização administrativa, judiciária e financeira que essas monarquias impuseram a seus súditos, nem extrair dos grandes teóricos os conceitos de absolutismo ou direito divino. É necessário penetrar as crenças que floresceram em torno das casas principescas.
(Adaptado de Marc Bloch, Os reis taumaturgos. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 43-44.)
a) De acordo com o texto, como se pode compreender melhor as monarquias da Idade Média e da Idade Moderna?
b) O que significa “direito divino dos reis”?
c) Caracterize a política econômica das monarquias europeias entre os séculos XVI e XVIII.
Gabarito:
Resolução:
a) Segundo o texto, as monarquias desses períodos se relacionavam muito com a esfera religiosa, reforçando sua autoridade: os reis eram considerados personagens sagrados, o que aponta a necessidade de se compreender as crenças que floresceram em torno dos ambientes reais
b) O direito divino dos reis é uma ideia de que o poder dos reis era concedido por Deus. Isso vem da teoria elaborada por Jacques Bossuet no livro A Política Extraída das Sagradas Escrituras, que argumenta que o rei tem poder absoluto por ele foi escolhido pela autoridade divina, a única à qual o rei deve prestar contas.
c) A política econômica vigente nesse contexto era o Mercantilismo, em que as atividades comerciais funcionavam para fortalecer o poder do Estado (ou do rei). Esse modelo é caracterizado pelo metalismo (acumulação de metais preciosos para medir a riqueza das nações), pela busca por balança comercial favorável, pelo protecionismo e intervencionismo, bem como a exploração colonial.