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Questão 9

UNICAMP 2007
Português

(UNICAMP - 2007) O poema abaixo pertence ao livro A rosa do povo (1945):

Cidade prevista


Irmãos, cantai esse mundo
que não verei, mas virá
um dia, dentro em mil anos,
talvez mais... não tenho pressa.
Um mundo enfi m ordenado,
uma pátria sem fronteiras,
sem leis e regulamentos,
uma terra sem bandeiras,
sem igrejas nem quartéis,
sem dor, sem febre, sem ouro,
um jeito só de viver,
mas nesse jeito a variedade,
a multiplicidade toda
que há dentro de cada um.
Uma cidade sem portas,
de casas sem armadilha,
um país de riso e glória
como nunca houve nenhum.
Este país não é meu
nem vosso ainda, poetas.
Mas ele será um dia
o país de todo homem.

(Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo, em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992, p.158-159.)

a) A quem se dirige o eu lírico e com que finalidade?
b) A que “cidade” se refere o título do poema e como ela é representada?
c) Que características centrais de A Rosa do Povo se encontram nesse poema?

Gabarito:

Resolução:

a) O vocativo “irmãos” indica o alvo do discurso eu lirico. Trata-se de um termo que traz subentendida a intenção de conclamar uma coletividade, da qual o eu lírico faz parte, em nome de um ideal comum. Esse ideal é de uma sociedade aberta, livre, alegre, cosmopolita e múltipla.

b) Drummond refere-se a uma cidade utópica, ou seja, que não existe em lugar nenhum, apenas no plano ideal. Por ser “prevista”, não é desconectada da realidade plausível, mas algo passível de se concretizar, desde que haja, para tanto, a justiça social pregada pelo poeta em A Rosa do Povo. Assim, representa um mundo livre, sem cerceamentos (“sem fronteiras, / sem leis e regulamentos”, “sem portas”, “sem armadilha”), nem sofrimento (“sem dor, sem febre”) ou cobiça (“sem ouro”), onde a variedade seria respeitada.

c) O trecho apresentado de “Cidade prevista” apresenta duas das linhas temáticas centrais de A Rosa do Povo: a consciência crítica dos tempos sombrios em que se encontrava o poeta, tempos marcados pela Segunda Guerra Mundial, pela Ditadura Vargas e pelo desencanto diante do sistema capitalista, e a esperança de que as forças da coletividade, alimentadas por ideais socialistas, trariam a redenção a esse universo.

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