(UNICAMP - 2011 - 1 FASE ) Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de dar-lhe!”
Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74
Considerando as informações do enunciado, a arte colonial mineira pode ser definida como
favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores.
guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população.
facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura.
marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à busca por colônias e à integração cultural das populações nativas.
Gabarito:
guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população.
a) Incorreta. Não há, no texto, elementos que referenciem um interesse verídico dos indígenas em realizar transações comerciais: Pero Vaz de Caminha apenas supõe isso pelo fato de que um dos nativos “fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo.” O autor ainda explica a suposição: “Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos”.
b) Correta. No texto, vemos que o interesse dos descobridores em explorar a terra e extrair riquezas se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas: “(…) como se dissesse que [os nativos] dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos!”. Esta prioridade portuguesa, naturalmente, implica numa desconsideração/desvalorização da cultura nativa, dado que a integridade desta não tem importância em face dos interesses econômicos dos europeus.
c) Incorreta. O sistema colonial não tinha a escravidão indígena como base, mas sim a escravização de africanos. Além disso, a destruição da cultura nativa não é consequência da docilidade dos indígenas, mas sim dos interesses europeus em explorar a nova terra, o que fizeram sem prezar pela integridade dos indígenas.
d) Incorreta. O contexto dos primeiros contatos entre os indígenas e os portugueses no Brasil ocorreu séculos antes da Revolução Industrial.