(UNICAMP - 2011) No início do século XIV, o inquisidor Bernardo Guy escreveu um Manual do Inquisidor, no qual descrevia como se ingressava na seita herética que ficou conhecida pelo nome de pseudoapóstolos: “Perante algum altar, na presença de membros da seita, o candidato se despe de suas roupas, como sinal de renúncia a tudo que possui, para seguir com perfeição a pobreza evangélica. Também se exige que ele prometa não obedecer a nenhum mortal, mas só a Deus, como se fosse um apóstolo sujeito apenas a Cristo e a ninguém mais.”
(Adaptado de Nachman Falbel, Heresias medievais. São Paulo: Perspectiva, 1977, p. 66.)
a) Por quais razões essa heresia era uma ameaça para a Igreja do período?
b) Caracterize a relação entre o poder religioso e o poder temporal na baixa Idade Média.
Gabarito:
Resolução:
a) A heresia em questão ameaçava a Igreja porque estimulava uma contestação à autoridade eclesiástica, dado que promovia “pseudoapóstolos” independentes, que pregavam ideais diferentes da Igreja. Dentre estas ideias, estão a“renúncia a tudo que possui, para seguir com perfeição a pobreza evangélica” e o ideal de “não obedecer a nenhum mortal, mas só a Deus, como se fosse um apóstolo sujeito apenas a Cristo e a ninguém mais”. Ambos fatores estão contestando diretamente a autoridade eclesiástica, visto que promovem uma desobediência às normas católicas e porque afirmam que a Igreja não tem credibilidade.
b) Durante a Baixa Idade Média, contexto pautado pela mentalidade teocêntrica, a Igreja encarregava-se de diversas frentes vinculadas às relações de poder, tendo o papel de legitimá-las. Neste contexto, o poder dos reis e imperadores, tido como temporal (civil, secular), não poderia efetivar-se sem o reconhecimento da Igreja, que exerce o poder espiritual. Dessa forma, a relação entre os dois poderes é estreita e ilustra o teocentrismo do período.