(UNICAMP - 2011) Na segunda metade do século XVIII, pensadores importantes, como Denis Diderot, atacaram os próprios fundamentos do imperialismo. Para esse filósofo, os seres humanos eram fundamentalmente formados pelas suas culturas e marcados pelas diferenças culturais, não existindo o homem no estado de natureza. Isso levava à ideia de relatividade cultural, segundo a qual os povos não podiam ser considerados superiores ou inferiores a partir de uma escala universal de valores.
(Adaptado de Sankar Muthu, Enlightenment Against Empire. Princeton: Princeton University Press, 2003, p. 258, 268.)
a) Segundo o texto, como as ideias de Denis Diderot se opunham ao imperialismo?
b) No pensamento de Jean-Jacques Rousseau, qual a relação entre a ideia de “homem no estado de natureza” e a organização das sociedades civilizadas?
Gabarito:
Resolução:
a) As ideias de Diderot se opunham ao imperialismo porque mostravam que “os povos não podiam ser considerados superiores ou inferiores a partir de uma escala universal de valores”, assim desqualificando o argumento imperialista de que povos “superiores” devem dominar povos “inferiores”: a relatividade cultural contradiz a validade de uma escala universal de valores, colocando as culturas em uma relação horizontalizada. Dessa forma, Diderot mostrava e valorizava as diferenças entre culturas, negando a existência de uma suposta base comum sobre a qual todos os povos começam, em ritmos diferentes, sua “evolução”.
b) De acordo com Rousseau, o homem no estado de natureza seria aquele homem que vive de forma essencialmente animal, entrando em conflito com todos ao seu redor devido a ampla liberdade para alcançar seus interesses. Ao abandonar o estado de natureza, adentrando um contexto de civilização, o homem elege o Estado como árbitro dos conflitos: a organização das sociedades civilizadas gira em torno de mediar os interesses conflitantes e garantir a vigência dos direitos naturais dos cidadãos, que renunciaram ao seu estado de natureza.