(UNICAMP - 2016 - 1ª fase)
Em sua versão benigna, a valorização da malandragem corresponde ao elogio da criatividade adaptativa e da predominância da especificidade das circunstâncias e das relações pessoais sobre a frieza reducionista e generalizante da lei. Em sua versão maximalista e maligna, porém, a valorização da malandragem equivale à negação dos princípios elementares de justiça, como a igualdade perante a lei, e ao descrédito das instituições democráticas.
(Adaptado de Luiz Eduardo Soares, Uma interpretação do Brasil para contextualizar a violência, em C. A. Messeder Pereira, Linguagens da violência. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 23-46.)
Considerando as posições expressas no texto em relação à valorização da malandragem, é correto afirmar que:
O verbo “equivale” relaciona a valorização da malandragem à negação da justiça, da igualdade perante a lei e das instituições democráticas.
Entre os pares de termos “benigna/maligna” e “maximalista/reducionista” estabelece-se no texto uma relação semântica de equivalência.
O elogio da malandragem reside na valorização da criatividade adaptativa e da sensibilidade em contraposição à fria aplicação da lei.
O articulador discursivo “porém” introduz um argumento que se contrapõe à proposta de valorização da malandragem.
Gabarito:
O articulador discursivo “porém” introduz um argumento que se contrapõe à proposta de valorização da malandragem.
a) Incorreta. A afirmativa "O verbo “equivale” relaciona a valorização da malandragem à negação da justiça, da igualdade perante a lei e das instituições democráticas." está incorreta, pois o verbo "equivale", de acordo com o texto da questão, apresenta relação a valorização da malandragem à negação dos princípios elementares de justiça, como a igualdade perante a lei, e ao descrédito das instituições democráticas, e o compreensão do fragmento da alternativa da questão é diferente.
b) Incorreta. Os pares propostos pelo enunciado “benigna/maligna” e “maximalista/reducionista” estão em desacordo com o percurso argumentativo do texto, de acordo com o qual é correta a relação “benigna/maligna” e “reducionista/maximalista”.
c) Incorreta. Segundo o texto, o elogio da malandragem reside na valorização da criatividade e das relações pessoais sobre a lei, que é considerada fria por não se atentar à especificidade de cada caso em que se aplica. Tomando essa explicação como referência, não é possível referendar a relação entre malandragem e sensibilidade. Esta pode nos remeter à ideia de “subjetividade”, o que não se aplica à explicação do texto.
d) Correta. O articulador discursivo “porém” introduz uma argumento que se contrapõe às versões “benigna” e “maligna” da valorização da malandragem, sendo assim, considerado como uma conjunção coordenativa adversativa empregada entre as orações para estabelecer uma oposição entre a valorização benigna e a maligna da malandragem.