(UNICAMP - 2020 - 1ª FASE)
“O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo em que a confiança é presumida. Por exemplo, os juízes nem sempre são independentes, os médicos nem sempre capazes, os oradores nem sempre sinceros. Mas presume-se que o sejam; e, se alguém afirmar o contrário, cabe-lhe o ônus da prova. Sem esse tipo de presunção, a vida seria impossível; e é a própria vida que rejeita o ceticismo.”
(Olivier Reboul, Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 97-98.)
Considerando o segundo “Sermão da Quarta-feira de Cinza” (1673), de Antonio Vieira, é correto afirmar que a presunção de confiança por parte do auditório cristão do século XVII decorre da
habilidade política do pregador.
atenção disciplinada dos ouvintes.
crença na salvação e na danação eternas.
defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero.
Gabarito:
crença na salvação e na danação eternas.
c) crença na salvação e na danação eternas.
Correta. Mesmo que a questão não apresente o Sermão de Vieira é possível solucionar a questão a partir da leitura do texto. Este define verossímil como a crença prévia em algo ou alguém mesmo sem uma prova concreta disto. Por exemplo, acredita-se que um médico é capaz mesmo que em alguns casos não seja; há uma crença prévia na capacidade do profissional devido a sua formação e atuação na área.
No que tange ao cenário do auditório cristão do século XVII, a confiança deste nas palavras de Vieira deste decorre da crença na salvação e na danação eternas. A crença na salvação para os virtuosos que se afastam das questões terrenas e o inferno para os pecadores. Apenas com estas crenças pré estabelecidas as palavras do sermão passam a possuir credibilidade.