(UNICAMP - 2021 - 2ª FASE)
A mensagem não fala do objeto, o objeto fala da mensagem. A marca de um produto não marca o produto, marca o consumidor como membro do grupo de consumidores da marca. A desigualdade social se consagra e se recria, assim, pela via simbólica. A submissão do objeto ao signo é o elemento central do consumo, posto que os signos são manipulados e têm uma coerência lógica que é nunca satisfazer completamente a necessidade e deixar o desejo permanentemente aberto. Para as “massas” são as grandes séries, os desenhos estandardizados e anônimos, as formas desgastadas e não distintivas; para as “elites”, é a pequena série ou o “fora de série”, o distintivo, a novidade, o inalcançável, o exclusivo. (Adaptado de Luís Enrique Alonso, “Introdução”, em Jean Baudrillard, La sociedad de consumo. Sus mitos, sus estructuras. Madrid: Siglo XXI, 2007, p. XLIII-XLIV.)
Com base no texto e em seus conhecimentos,
a) explique a diferença entre “valor de uso” e “valor simbólico” de um bem ou mercadoria;
b) descreva o mecanismo presente nos meios de comunicações que manipula os signos para torná-los objetos do desejo. Explique por que esse mecanismo de manipulação dos signos não é restrito a uma classe social.
Gabarito:
Resolução:
a) O "valor de uso" de uma mercadoria está conectado com a quantidade de trabalho aplicado em sua produção, pode ser definido como o valor associado a finalidade do objeto no mundo físico, ou seja está intimamente conectado com o formato do objeto, sua fabricação e uso. Já o "valor simbólico" de uma mercadoria está relacionado ao ideário construído em cima do objeto, de que o objeto é necessário não só pelo seu uso prático, mas pelo status que ele gera para quem o possui. Portanto, a diferença entre esses valores é que o segundo, o valor simbólico não está ligado ao mundo prático e sim ao mundo das ideias de consumo, que é construido pelas marcas para influenciar pessoas a comprarem muitas vezes um produto sem necessitar.
b) A transformação dos signos em objetos de desejo está intrinsecamente relacionada às ideias de status, utilidade, retorno pessoal que determinado produto tem na vida de quem o consome. Guiadas pela ideia de que possuir algo que possui um valor simbólico maior que o real trará felicidade, garantirá o status, a validação de algo que pessoas de todas as classes sociais podem ser levadas a consumir um produto que não necessariamente precisam, mas que querem por causa do status que dará a posse de determinado produto. A sociedade do consumo, como é chamada por alguns antropólogos, é baseada na ideia de consumir como sinônimo de felicidade e esse é o mecanismo utilizado pelos meios de comunicação.