(UNICAMP - 2021 - 1ª FASE - 2º dia de aplicação)
Leia o poema e responda à questão que se segue.
A fermosura desta fresca serra
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;
o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do Sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;
enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
se está, se não te vejo, magoando.
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando,
nas mores alegrias, mor tristeza.
É correto afirmar que, no soneto de Camões,
a beleza natural aborrece o eu lírico, uma vez que se transforma em objeto de suas maiores tristezas.
a variedade da paisagem está em harmonia com o sentimento do eu lírico porque a relação amorosa é imperfeita.
a harmonia da natureza consola o eu lírico das imperfeições da vida e da ausência da pessoa amada.
a singularidade da natureza entristece o eu lírico quando ele está distante da pessoa amada.
Gabarito:
a singularidade da natureza entristece o eu lírico quando ele está distante da pessoa amada.
RESOLUÇÃO KUADRO
O primeiro terceto (“enfim, tudo o que a rara natureza/ com tanta variedade nos oferece,/ se está, se não te vejo, magoando.”) revela um aborrecimento do eu lírico diante da variedade da natureza que, na ausência da amada, não lhe oferece tamanha graça. A singularidade dos fenômenos naturais entristece o eu do poema na medida em que faz com que ele perceba a “mor tristeza” (da ausência da amada) nas “mores alegrias” (as belezas do mundo).
RESOLUÇÃO UNICAMP
A alternativa correta é a d uma vez que ela interpreta corretamente os tercetos do soneto ao afirmar que a singularidade da natureza (“a rara natureza”) entristece o eu lírico quando sua amada está ausente. Nota-se, portanto, que a tópica do lugar ameno, construída nos dois primeiros quartetos, sofre uma inversão nos dois tercetos, ao contrariar a ideia comum de que a simetria e beleza da natureza são atributos que independem do sentimento do eu lírico. A alternativa a é incorreta porque não indica de fato a causa da beleza natural aborrecer o eu lírico, o que está dado na alternativa d. A alternativa b também é incorreta em razão de não haver harmonia entre a beleza natural e o sentimento do eu lírico, o que invalida a conclusão da alternativa. Por fim, a alternativa c é incorreta porque afirma justamente o contrário do que se lê nos tercetos do poema: a natureza não consola, mas entristece o eu lírico.