(UNICAMP - 2023 - 2ª fase)
Fiquei pensando em algo para escrever na estreia da minha coluna aqui no portal da Agência de Notícias das Favelas - ANF. Pensei em vários temas, e todos, obviamente, com assuntos relacionados à favela. Na busca sobre o que escrever, resolvi abordar os dois termos usados para denominar as áreas carentes do Estado do Rio de Janeiro: favela e comunidade.
Mas, por qual motivo esse assunto me chamaria atenção se, afinal, é tudo a mesma coisa? E que diferença faz chamar de comunidade ou favela? Chamar de comunidade não é o mais correto, o mais bonito? Comunidade carente e morador de comunidade são termos ditos politicamente corretos pelas autoridades governamentais para substituir os termos favela e favelado. Mesmo os moradores usam esses termos sem questionar se essa mudança de nome traria benefícios. A alteração foi decidida em meados de 1990, pelo então Prefeito do Rio de Janeiro, sem uma consulta aos principais interessados: os moradores das favelas.
Essa mudança fez com que acabasse o preconceito que existia desde o surgimento da primeira favela? A resposta obviamente é “não”. Fizeram questão de substituir o nome favela por comunidade, mas não mudaram a realidade das áreas, que ainda sofrem com a falta de saneamento básico, moradias, pavimentação, saúde, educação, segurança pública, entre tantos outros problemas.
Caro leitor, já parou para refletir sobre todas as vezes que te chamam de “morador de comunidade” com intenção de não ofender, mas te negam um simples “bom dia”? Ou te olham com desconfiança? Ou aplaudem as invasões policiais?
(Adaptado de Carla Regina. Favela, comunidade carente formada por favelados. Agência de Notícias das Favelas, 29/10/2019.)
a) Explique por que houve a mudança de termos e por que, na perspectiva da autora da matéria, tal mudança é ineficaz.
b) Imagine que você mora numa favela/comunidade e resolveu se posicionar a respeito da mudança dos termos. Escreva um comentário, concordando com Carla Regina, a ser postado no site que publicou a matéria. Relate brevemente uma situação de preconceito que justifique sua posição. Seu texto deve ter entre 40 e 50 palavras. Atenção: não copie trechos do texto da autora.
Gabarito:
Resolução:
a) Segundo a matéria, a mudança de favela para comunidade se deu para que o preconceito em relação a essas regiões diminuísse, dando elas um nome novo, hipoteticamente sem o estigma que favela carregava. Apesar disso, como a autora da matéria aponta, a mudança no nome não veio acompanhada de uma mudança de atitude por parte dos governantes, isto é, a realidade nas favelas/comunidades continuou a mesma. Sendo assim, o preconceito não foi vencido, apenas mascarado.
b) RESOLUÇÃO UNICAMP (diversas possibilidades de resposta): (Serão considerados na avaliação das respostas: texto de acordo com a autora da notícia; relato de uma situação de preconceito contra esses moradores – em primeira ou terceira pessoa do singular; respeito ao limite de palavras; originalidade (i.e., a não transcrição ou cópia direta de trechos da matéria.) Um possível exemplo de resposta a contemplar as expectativas da Banca Elaboradora poderia ser: É isso mesmo, Carla! A troca de “favela” por “comunidade” sem a promoção de mudanças nos locais não muda a opinião das pessoas. Outro dia numa corrida de Uber, o motorista se recusou a entrar na comunidade, dizendo que o lugar era perigoso.