(UNICENTRO - 2010)
De acordo com muitos interpretes, Sócrates (470-399 a.C.) é considerado o primeiro filósofo da ética. Qual das alternativas abaixo NÃO caracteriza corretamente seu pensamento.
Sócrates transporta a antiga especulação racional para o terreno ateniense da moralidade, tentando superar a crise dos valores de Atenas para dar novamente à sua moral um fundamento sólido porque pessoal (não-Estatal) e racional (não-religioso).
De física, nossa interpretação torna-se moral, de meditação solitária, torna-se diálogo. Assim, Sócrates, filósofo urbano, vai onde estão os atenienses: nos banquetes, no ginásio, sobretudo na ágora, coração da cidade e centro de encontros.
Com Sócrates a moral se torna uma questão de Estado. Vivendo o apogeu da cidade de Atenas, em pleno século V a.C., Sócrates faz de Atenas a “civilização do discurso político”, lugar onde todo projeto, toda decisão importante, passa pela discussão pública em comum.
Para a moral grega – que era outrora uma questão de crenças, que fazia parte das coisas indiscutíveis –, Sócrates busca um fundamento mais estável do que os costumes relativos e as normas efêmeras: um fundamento racional, baseado na interrogação e discussão individual.
Sócrates domina a arte sutil do diálogo, a dialética, jogo de espírito e de finura, feito de fintas e de esquivas, torneio de argumentadores pleno de subentendidos e de alusões. Nesse terreno, o da interrogação moral, interessa a Sócrates apenas isto: o que os homens dizem acerca do que fazem e como justificam o que querem.
Gabarito:
Com Sócrates a moral se torna uma questão de Estado. Vivendo o apogeu da cidade de Atenas, em pleno século V a.C., Sócrates faz de Atenas a “civilização do discurso político”, lugar onde todo projeto, toda decisão importante, passa pela discussão pública em comum.
A questão pede a alternativa que não caracteriza o pensamento de Sócrates.
c) Incorreta. Com Sócrates a moral se torna uma questão de Estado. Vivendo o apogeu da cidade de Atenas, em pleno século V a.C., Sócrates faz de Atenas a “civilização do discurso político”, lugar onde todo projeto, toda decisão importante, passa pela discussão pública em comum.
Sócrates não tornou a moral uma questão do Estado, e sim do sujeito. A discussão pública das decisões da pólis não foram o foco de sua investigação moral.
a) Correta. Sócrates transporta a antiga especulação racional para o terreno ateniense da moralidade, tentando superar a crise dos valores de Atenas para dar novamente à sua moral um fundamento sólido porque pessoal (não-Estatal) e racional (não-religioso).
Sócrates transferiu a investigação teórica baseada na razão para a sociedade ateniense, ou seja, trouxe para a realidade da pólis as questões que explorava no âmbito da moral. Com isso, buscava retomar os valores de Atenas num momento de crise moral e dar-lhe um alicerce social racional, e não Estatal e/ou religioso.
b) Correta. De física, nossa interpretação torna-se moral, de meditação solitária, torna-se diálogo. Assim, Sócrates, filósofo urbano, vai onde estão os atenienses: nos banquetes, no ginásio, sobretudo na ágora, coração da cidade e centro de encontros.
Sócrates acreditava que a interpretação filosófica da realidade deveria ser moral ao invés de física e provir do diálogo, e não da meditação solitária. Por isso, concentrava-se no meio urbano, indo à lugares públicos em que os atenienses se reuniam, para discutir as questões que propunha.
d) Correta. Para a moral grega – que era outrora uma questão de crenças, que fazia parte das coisas indiscutíveis –, Sócrates busca um fundamento mais estável do que os costumes relativos e as normas efêmeras: um fundamento racional, baseado na interrogação e discussão individual.
A moral grega era marcada por crenças e coisas indiscutíveis, como o mito. Sócrates buscava se desvincular dessa concepção para atribuir à moral uma base racional, fomentada na interrogação e na discussão, fundamentos mais sólidos do que os costumes (que são relativos) e as normas (que são efêmeras).
e) Correta. Sócrates domina a arte sutil do diálogo, a dialética, jogo de espírito e de finura, feito de fintas e de esquivas, torneio de argumentadores pleno de subentendidos e de alusões. Nesse terreno, o da interrogação moral, interessa a Sócrates apenas isto: o que os homens dizem acerca do que fazem e como justificam o que querem.
Sócrates é um exímio orador e argumentador, excelente na arte do diálogo. No terreno da investigação moral, o filósofo se preocupa com o que homens dizem sobre si e como argumentam em defesa do que desejam.